sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Tô de bem




"Tô me aproximando de tudo que me faz completa,
me faz feliz e que me quer bem.
Tô aproveitando tudo de bom que essa nossa vida tem.
Tô me dedicando de verdade pra agradar um outro alguém.
Tô trazendo pra perto de mim
quem eu gosto e quem gosta de mim também.
Ultimamente eu só tô querendo ver
o ‘bom’ que todo mundo tem.
Relaxa, respira, se irritar é bom pra quem?
Supera, suporta, entenda:
isento de problemas eu não conheço ninguém.
Queira viver, viver melhor,
viver sorrindo e até os cem.
Tô feliz, to despreocupada,
com a vida eu tô de bem."





quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Desejo-te




Desejo primeiro que ames,
E que amando, também sejas amado.
E que se não fores, sejas breve em esquecer.
E que esquecendo, não guardes mágoa.
Desejo, pois, que não sejas assim,
Mas se fores, saibas ser sem desesperar.
Desejo também que tenhas amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Possas confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que tenhas inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exacta para que, algumas vezes,
Te interpeles a respeito
Das tuas próprias certezas.
E que, entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que não te sintas demasiado seguro.
Desejo depois que sejas útil,Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para te manteres de pé.
Desejo ainda que sejas tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Sirvas de exemplo aos outros.
Desejo que, sendo jovem,
Não amadureças depressa demais,
E que sendo maduro, não insistas em rejuvenescer
E que sendo velho, não te dediques ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo também que sejas triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubras
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que descubras,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes e que estão à tua volta.
Desejo ainda que afagues um gato,
Alimentes um cuco e ouças o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, te sentirás bem por nada.
Desejo também que plantes uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhes o seu crescimento,
Para que saibas de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que tenhas dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloques um pouco dele
Na tua frente e digas «Isso é meu!»,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum dos teus afectos morra,
Por ele e por ti,
Mas que se morrer, possas chorar
Sem te lamentares e sofrer sem te culpares.
Desejo por fim que, sendo homem,
Tenhas uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenhas um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a desejar-te.


Vitor Hugo 





Aroma a hombre





"Descanso , plácidamente 
sobre las sabanas de
aroma a hombre..
esta casi inconcluso este día..
e insatisfecha, de la lujuria .. 
que yo quería.. ven 
vuelve a la cama...
que tengo ganas
de tu cuerpo lleno de placer ..
soy toda tuya , si .... siiiiiiiii...
toca lo que tu quieras , 
nunca lo dudes 
soy la que te espera tu
cada mañana 
para que juntos ... 
hhhhsssssssss calla 
que nadie sepa 
lo que pretendo ,..
si... siii..!!! yo..
quiero tu sexo ..
que mas .. creías..
yo soy la flor .. 
de tus placeres .. 
que si no la cuidas .. 
en tus manos muere..
ven , no seas malo ..
que me tienes miedo ??.."






quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DESNUDA MI ALMA ...




Para cuando tu regreses ,
estare esperando ..
casi desnuda y con
mi rostro limpio..
casi sin llanto, cubrire ..
tu aucencia con 
pensamientos bellos
y mi cuerpo desnudo 
seguirá atento..
tus palabras dulces ....
acompañaran mi calma,
de la espera larga .. 
mi mente tranquila
sabra que sos mi amado 
y nada ,ni nadie 
separara lo nuestro ..
rociare mi piel !!!
con tus pensamientos 
y mis labios comeran fresas 
para concerbar tu aliento ..
te amo tanto ..
que aquí te espero ... 
aunque pase una vida ...
y en esa vida ......
de amor yo muera...





terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Idade de Ser Feliz




"Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa."







segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Morde-me com o querer-me





Morde-me com o querer-me que tens nos olhos
Despe-te em sonho ante o sonhares-me vendo-te,
Dá-te vária, dá sonhos de ti própria aos molhos
Ao teu pensar-me querendo-te…

Desfolha sonhos teus de dando-te variamente,
Ó perversa, sobre o êxtase da atenção
Que tu em sonhos dás-me… E o teu sonho de mim é quente
No teu olhar absorto ou em abstracção…

Possue-me-te, seja eu em ti meu spasmo e um rocio
De voluptuosos eus na tua coroa de rainha…
Meu amor será o sair de mim do teu ócio
E eu nunca serei teu, ó apenas-minha?


Fernando Pessoa





domingo, 25 de novembro de 2012

MIMOSA BOCA ERRANTE




Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.


Carlos Drummond de Andrade





sábado, 24 de novembro de 2012

Sobre o amor






O que aprendi 
sobre o amor - e isso aprendi 
sobre o amor a mim mesma - é que
 ele exige de mim, todos os dias, um esforço.
Um exercício diário do qual não posso abrir mão.
É como estar num mar profundo, sem barco ou bóia.
Não posso simplesmente boiar.
Posso relaxar um pouco, mas logo retomo o nado.
Não posso boiar, não posso, não posso.
A onda pode me levar. 



Cris Guerra





sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Momento Mágico







"Ela dança como se fosse leve, pluma, nada.
Ela sente como se fosse força, peso, tudo.
Externa palavras como se desse uma pirueta.
Demonstra o que sente como se fosse samba.

E todos os gingados requebram com as emoções.
Dança querendo mostrar a vida que não existe negação, 
quando a aceitação é positiva.
Ela gira, gira, gira e se delicia 
com a melodia de sentimentos novos.
Não se envergonha com os passos errados e continua 
no ritmo familiar que já tanto conhece.

Fecha os olhos, mas não fecha o corpo.
Abre a mente, mas não fecha a alma.
Ela é linda, principalmente, quando dança.
E quando não existe música, ela faz aquele som na boca,
como quem canta uma canção de ninar.
Abraça o corpo, fica na ponta do pé e sai rodopiando,
rodopiando, rodopiando, como se nada fosse parar..." 






quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Desejo







Desejo 
que desejes alguma mudança,
Uma mudança que seja necessária 
e que ela não te pese na alma,
Mudanças são temidas, 
mas não há outro combustível 
para essa travessia.

E desejo, principalmente,
Que desejes desejar, 
que te permitas desejar,
Pois o desejo é vigoroso e gratuito, 
o desejo é inocente.

Não reprima teus pedidos ocultos, 
desejo que desejes vitórias, 
romances, 
diagnósticos favoráveis, 
mais dinheiro e sentimentos vários.

Mas desejo, 
antes de tudo, 
que desejes, 
simplesmente.


Martha Medeiros 






quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Você vai aprender




Você vai aprender, filho.
Que a intensidade
pode roubar você de si mesmo.
Que é preciso leveza para se pertencer.
Você vai aprender
a se distrair
no meio do caminho – para ter
o privilégio de errar.

Vai aprender que
as descobertas estão nos atalhos.
E que é preciso alcançar o escuro denso
para estar diante de todas as possibilidades.

Você vai aprender
a se deitar noite escura
e amanhecer ensolarado.

E vai entender que
na perda mora o verdadeiro começo.

Talvez você leve meia vida para isso.
Talvez mais, como eu.
Mas até lá,
olha que sorte: eu vou estar segurando a sua mão."



Texto de Cristiana Guerra dedicado ao seu filho Francisco. 





terça-feira, 20 de novembro de 2012

Doçura






"Doçura

é a maestria dos sentidos.

Olhos que vêem

o fundo das coisas...

Ouvidos que escutam

o coração das coisas...

Boca que fala

a essência das coisas...

Doçura é o resultado

de uma longa jornada interior

ao âmago da vida

e a habilidade de lá

descansar e assistir.

O que é

realmente doce

nunca pode ser

vítima do tempo...

Porque doçura

é a qualidade da pessoa

cuja vida tocou a eternidade!"




Brahma Kumaris









segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Silencie-se



Sabedoria é o desconhecer
Simples assim, mais nada...
Conhecer implica em seguir
Em mergulhos profundos
Em vôos mais altos...
Sabedoria é fingir-se morto
Esconder-se quieto
No canto da vida...
E esperar passar
observar a bola
que sobe
e desce
e de cima volta
sobre quem jogou...
Sabedoria é calar-se
dizer que não sabe
e ouvir as tolices
e perceber as loucuras
enquanto no silêncio
espera-se apenas
os minutos despejarem-se
no vaso perene
das horas...


Jacqueline Bulos Aisenma





domingo, 18 de novembro de 2012

Se puder sem medo




Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava
Pr'eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo
Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha
Pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo

Deixa a luz do quarto acesa a porta entreaberta
O lençol amarrotado mesmo que vazio
Deixa a toalha na mesa e a comida pronta
Só na minha voz não mexa eu mesmo silencio

Deixa o coração falar o que eu calei um dia
Deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo
Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia
Deixa tudo como está e se puder, sem medo

Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço
Deixa e quando não voltar eu finjo que não importa
Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito
Pra dizer te vendo ir fechando atrás da porta

Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso
Deixa o meu olhar doente pousado na mesa
Deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso
Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa

Deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo
Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande
Deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo
Se o adeus demora a dor no coração se expande

Deixa o disco na vitrola pr'eu pensar que é festa
Deixa a gaveta trancada pr'eu não ver tua ausência
Deixa a minha insanidade é tudo que me resta
Deixa eu por à prova toda minha resistência

Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro
Deixa eu contar que era farsa minha voz tranqüila
Deixa pendurada a calça de brim desbotado
Que como esse nosso amor ao menor vento oscila

Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa
Deixa um último recado na casa vizinha
Deixa de sofisma e vamos ao que interessa
Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha

Deixa tudo que eu não disse mas você sabia
Deixa o que você calou e eu tanto precisava
Deixa o que era inexistente e eu pensei que havia
Deixa tudo o que eu pedia mas pensei que dava



Oswaldo Montenegro





sábado, 17 de novembro de 2012

Quantas vezes






"Quantas vezes batemos em retirada,
com o coração amargurado pela injustiça...
Quantas vezes sentimos solidão,
mesmo cercado de pessoas...

Quantas vezes voltamos para casa 
com a sensação de derrota...
Quantas vezes aquela lágrima, 
teima em cair,
justamente na hora em que 
precisamos ser fortes...

Quantas vezes pedimos a Deus 
um pouco de força, um pouco de luz...
E a resposta vem, 
seja lá como for,
um sorriso, um olhar cúmplice, 
um cartãozinho, um bilhete, 
um gesto de amor...

E a gente insiste...
Insiste em prosseguir,
em acreditar,
em transformar,
em dividir,
em estar,
em ser;

E Deus insiste...
Insiste em nos abençoar,
em nos mostrar o caminho..
Aquele mais difícil,
mais complicado, mais bonito. "






sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Como dizia o poeta






Quem já passou por essa vida e não viveu,
Pode ser mais mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu,
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não.

Não há mal pior do que a descrença,
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão.

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair.
Pra que somar se a gente pode dividir.
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer.

Ai de quem não rasga o coração,
Esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão,
Nunca vai ter nada, não.



Vinicius De Moraes





Antes de ser Mãe




Antes de ser mãe, eu fazia e comia
os alimentos ainda quentes.
Não tinha roupas manchadas,
tinha calmas conversas ao telefone.
Antes de ser mãe, eu dormia o quanto queria,
nunca me preocupava com a hora de ir
para a cama.
E não me esquecia de escovar os cabelos
e os dentes.


Antes de ser mãe, eu limpava minha casa todo dia. Não tropeçava em brinquedos
nem pensava em canções de ninar.
Antes de ser mãe, eu não me preocupava
se minhas plantas eram venenosas ou não.
Imunizações e vacinas então,
eram coisas em que eu nem pensava.


Antes de ser mãe, ninguém vomitou
nem fez xixi em mim,
nem me beliscou sem nenhum cuidado,
com dedinhos de unhas finas.
Antes de ser mãe, eu tinha controle
sobre a minha mente,
meus pensamentos, meu corpo e meus sentimentos,
e dormia a noite toda.


Antes de ser mãe, eu nunca tive que segurar
uma criança chorando,
para que médicos pudessem fazer testes
ou aplicar injeções.
Eu nunca chorei olhando pequeninos
olhos que choravam.
Nunca fiquei gloriosamente feliz
com uma simples risadinha.
Nem fiquei sentada horas e horas
olhando um bebê dormindo.


Antes de ser mãe, eu nunca segurei uma criança,
só por não querer afastar meu corpo do dela.
E nunca senti meu coração se despedaçar,
quando não pude estancar uma dor.
Nunca imaginei que uma coisinha tão pequenina
pudesse mudar tanto a minha vida
e que pudesse amar alguém tanto assim.
Eu não sabia que adoraria ser mãe.


Antes de ser mãe, eu não conhecia a sensação
de ter meu coração fora do próprio corpo.
Não conhecia a felicidade
de alimentar um bebê faminto.
Não conhecia esse laço que existe
entre a mãe e a sua cria.
E não imaginava que algo tão pequenino
pudesse fazer-me sentir tão importante.


Antes de ser mãe, eu nunca me levantei
a noite toda, a cada 10 minutos,
para me certificar de que tudo estava bem.
Nunca pude imaginar o calor, a alegria, o amor,
a dor e a satisfação de ser uma mãe.
Eu não sabia que era capaz
de ter sentimentos tão fortes.


Por tudo e, apesar de tudo, obrigada Deus,
por eu ser agora um alguém tão frágil
e tão forte ao mesmo tempo.
Obrigada meu Deus, por me permitir ser Mãe!


Patricia Vaughan





quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Afinal...




Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra.


Mario Cesariny





quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Amigo




Amigo
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».


«Amigo» é um sorriso

De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!


«Amigo» (recordam-se, vocês aí,

Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!


«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.


«Amigo» é a solidão derrotada!



«Amigo» é uma grande tarefa,

Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill 
in, 'No Reino da Dinamarca'