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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Não te rendas

 




Não te rendas, ainda estás a tempo 
De alcançar e começar de novo, 
Aceitar as tuas sombras, 
Enterrar os teus medos, 
Libertar o lastro, 
Retomar o voo. 

Não te rendas que a vida é isso, 
Continuar a viagem 
Perseguir os teus sonhos, 
Destravar o tempo, 
Remover os escombros, 
e destapar o céu. 

Não te rendas, por favor não cedas, 
Mesmo que o frio queime, 
Mesmo que o medo morda, 
Mesmo que o sol se esconda, 
E se cale o vento, 
Ainda há fogo na tua alma 
Ainda há vida nos teus sonhos. 

Porque a vida é tua e teu também o desejo 
Porque o quiseste e porque eu te quero 
Porque existe o vinho e o amor, é certo. 
Porque não há feridas que não cure o tempo. 

Abrir as portas, 
Tirar os ferrolhos, 
Abandonar as muralhas que te protegeram, 
Viver a vida e aceitar o repto, 
Recuperar o riso, 
Ensaiar um canto, 
Baixar a guarda e estender as mãos 
Abrir as asas 
E tentar de novo, 
Celebrar a vida e retomar os céus. 

Não te rendas, por favor não cedas, 
Mesmo que o frio queime, 
Mesmo que o medo morda, 
Mesmo que o sol se ponha e se cale o vento, 
Ainda há fogo na tua alma, 
Ainda há vida nos teus sonhos 
Porque cada dia é um começo novo, 
Porque esta é a hora e o melhor momento. 
Porque não estás só, porque eu te amo. 



Mario Benedetti





quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Alegría de la tristeza






Alegría de la tristeza
En las viejas telarañas de la tristeza
suelen caer las moscas de sartre
pero nunca las avispas de aristófanes

uno puede entristecerse
por muchas razones y sinrazones
y la mayoría de las veces sin motivo aparente
sólo porque el corazón se achica un poco
no por cobardía sino por piedad

la tristeza puede hacerse presente
con palabras claves o silencios porfiados
de todas maneras va a llegar
y hay que aprontarse a recibirla

la tristeza sobreviene a veces
ante el hambre millonaria del mundo
o frente al pozo de alma de los desalmados

el dolor por el dolor ajeno
es una constancia de estar vivo

después de todo / pese a todo
hay una alegría extraña / desbloqueada
en saber que aún podemos estar tristes


Mario Benedetti