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terça-feira, 18 de maio de 2021

In Jerusalem

 







In Jerusalem, and I mean within the ancient walls,
I walk from one epoch to another without a memory
to guide me. The prophets over there are sharing
the history of the holy ... ascending to heaven
and returning less discouraged and melancholy, because love
and peace are holy and are coming to town.
I was walking down a slope and thinking to myself: How
do the narrators disagree over what light said about a stone?
Is it from a dimly lit stone that wars flare up?
I walk in my sleep. I stare in my sleep. I see
no one behind me. I see no one ahead of me.
All this light is for me. I walk. I become lighter. I fly
then I become another. Transfigured. Words
sprout like grass from Isaiah’s messenger
mouth: “If you don’t believe you won’t be safe.”
I walk as if I were another. And my wound a white
biblical rose. And my hands like two doves
on the cross hovering and carrying the earth.
I don’t walk, I fly, I become another,
transfigured. No place and no time. So who am I?
I am no I in ascension’s presence. But I
think to myself: Alone, the prophet Muhammad
spoke classical Arabic. “And then what?”
Then what? A woman soldier shouted:
Is that you again? Didn’t I kill you?
I said: You killed me ... and I forgot, like you, to die.


Mahmoud Darwish
in, "In Jerusalem" from The Butterfly’s Burden







quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Efémeros em palavras efémeras


Kasia Derwinska





1.
Vocês que passam com palavras efémeras,
levem seus nomes e vão embora
tirem suas horas do nosso tempo e vão embora
roubem à vontade do azul do mar e das areias da lembrança
tirem fotos à vontade, e assim vão saber
que não hão de saber
como uma pedra da nossa terra constrói o teto do céu.

2.
Vocês que passam com palavras efémeras
de vocês vem espada, de nós vem nosso sangue
de vocês vêm fogo e aço, de nós vem nossa carne
de vocês vem outro tanque, de nós vem pedra
de vocês vem a bomba de gás, de nós vem chuva.
Um mesmo céu e um mesmo ar nos cobre
peguem seu quinhão do nosso sangue, mas vão embora
entrem no jantar dançante, mas vão embora
temos que zelar pela rosa dos mártires
temos que viver como a gente quer!

3.
Vocês que passam com palavras efémeras,
como a poeira amarga, passem onde quiserem, mas
não passem entre nós como insetos com asas
temos o que fazer na nossa terra
temos trigo a criar e regar com o orvalho do nosso corpo
temos o que a vocês aqui não agrada:
temos pedra... e perdiz!
Levem o passado, se quiserem, ao mercado das quinquilharias
devolvam, se quiserem, o esqueleto do passarinho ao prato de porcelana.
Temos o que não lhes agrada: temos o futuro
temos o que fazer na nossa terra.

4.
Vocês que passam com palavras efémeras,
soquem seus dramas num buraco abandonado e vão embora
voltem atrás o ponteiro do tempo até o bezerro sagrado
ou até o disparo ritmado do revólver!
Temos o que a vocês aqui não agrada, então vão embora
temos o que por dentro vocês não têm:
uma pátria que jorra um povo que jorra uma pátria
que combina com esquecer e lembrar.
Vocês que passam com palavras efêmeras,
é hora de irem embora
de morarem onde quiserem, mas não entre nós
é hora de irem embora
de morrerem onde quiserem, mas não entre nós
temos o que fazer na nossa terra
aqui temos o passado
temos a primeira voz de vida
temos o presente, o presente e o que está por vir
temos o mundo aqui e temos a outra vida
saiam da nossa terra, do nosso deserto, do nosso mar
saiam do nosso trigo, do nosso sal, da nossa ferida
de tudo
saiam das lembranças da nossa memória,
vocês que passam com palavras efémeras.


Mahmoud Darwish





sábado, 7 de abril de 2018

Sonnet V

 




I touch you as a lonely violin touches the suburbs of the faraway place
patiently the river asks for its share of the drizzle
and, bit by bit, a tomorrow passing in poems approaches
so I carry faraway’s land and it carries me on travel’s road

On a mare made of your virtues, my soul weaves
a natural sky made of your shadows, one chrysalis at a time.
I am the son of what you do in the earth, son of my wounds
that have lit up the pomegranate blossoms in your closed-up gardens

Out of jasmine the night’s blood streams white. Your perfume,
my weakness and your secret, follows me like a snakebite. And your hair
is a tent of wind autumn in color. I walk along with speech
to the last of the words a bedouin told a pair of doves

I palpate you as a violin palpates the silk of the faraway time
and around me and you sprouts the grass of an ancient place - 
anew



Mahmoud Darwish
in, The Butterfly’s Burden