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sexta-feira, 15 de março de 2013

Silabas ternurentas






Existem bocas suculentas
Lábios sedentos, atrevidos e delirantes
Línguas loucas que se enrolam e movem, lentas
Beijos carregados de saliva, quentes e palpitantes

Vozes interiores que cantam, gritam e tragam!

Existem roupas quentes
Vincadas e caídas...que se alagam.

Afagos, recurvados e impulsos
Realidades desfolhadas e permitidas
Sensibilidades nas articulações dos meus dedos e pulsos
Ardores visíveis e perfumados nas minhas garras oferecidas

Existem movimentos de rotação audazes
Salpicos de paixão, suados e quentes
Devaneios em vértice perspicazes
Que se vestem e abrigam sentindo-se carentes 


Sensações que se arqueiam, insaciáveis e interessantes
Aliciantes se descontrolam e elevam…
Melodias cadenciadas que se ouvem, distantes.

Existem ventres que se contraem
Que se enleiam e entram em convulsões no momento
Paisagens infinitas que se constroem
E rios de silabas que rompem em sedução no pensamento.


Telma Estêvão






quarta-feira, 13 de março de 2013

Quero-te devagar…





Quero…
Avançar devagar
E sem receio…
Com o coração
Perfumado e cheio.

Num copo divino
Beber a tua alma ao segundo
E sem destino…
Alimentar o nosso pequeno mundo.

Quero…
Que as tuas palavras descobertas
Cresçam espontâneas
E abertas
Que o sorriso íntimo
Das tuas caricias libertas
Reúnam todos os sentimentos
Dos poetas.

Quero…
Desabrochar a cada instante, na verdade
Cativar a tua alma com entusiasmo e paixão
Enlaçar os meus dedos nus nos teus com vontade
E sentir o que nunca senti nem tive ocasião

Quero…
Libertar a semente
De quem sonha
E nesta ansia louca e delirante
Sentir o lume que palpita, sem vergonha.

Renovar todo o fogo que um dia inventei e perdi.

Quero…
Que os meus lábios, num fogo ateado
Colham o beijo teu, alimentem uma voz…calma
E ao gemerem-te, gritem embriagados
Silaba a silaba, por todo o teu corpo e alma.

Quero…
Tremer, sem cansaço
Anular as pausas e o elástico do silente
Embarcar no encanto que é o teu regaço
E em desalinho ter-te para sempre nem que seja na minha mente.


Telma Estêvão