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sábado, 27 de outubro de 2012

Quando o dia acorda






Quando o dia acorda atravessado,
escalo uma montanha.
É meu próprio caminho em direção ao sol.
Mochila nas costas, carrego o principal;
não levo nem perguntas, nem respostas.
Ponho um ramo de sonhos
que vou plantando pelo caminho,
a flauta encantada
pra seduzir passarinho,
a estrela companheira
que brilha o tempo inteiro
e mantém a trilha luminosa;
um frasco de água benta,
uma reza certeira;
um arco-iris à prova de nada.
Devagarzinho, sem pressionar o tempo,
chego ao meu destino.
Respiro fundo, abro os braços,
canto um hino de sagração ao mundo
- e agradeço -
por ter descoberto de repente
por onde se começa o recomeço


Flora Fiqueiredo





quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Se a tristeza vier





Se a tristeza vier
por qualquer motivo
Faça o seguinte:
Assopre o pensamento triste,
deixe escorrer a última lágrima,
conte até vinte.
Abra então a janela,
aquela que dá para o voo dos pardais,
procure a luz que pisca lá na frente
(Evite as sombras que ficaram lá pra trás).
Ao encontrá-la,
coloque-a dentro do peito
de tal jeito, que possa ser notada
do lado de fora;
Acrescente agora uma pitada de poesia,
do tipo que passa por nós todos os dias
e nem sequer consegue ser notada;
Aumente o brilho,
com toda intensidade
de que um sorriso é capaz.
A felicidade é o seu limite,
e o paraíso é você mesmo quem faz.


Flora Figueiredo