terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

I am that which






Listen to the words of the Great Mother,
the Mother Goddess,
she who of old has been called Artemis,
Astarte, Dione, Melusine, Cerridwen, Diana
and by many other names:

Hear the words of the Star Goddess, the dust
of whose feet are the hosts of heaven, and 
whose body encircles the universe:

I who am the beauty of the green earth,
and the white moon among the stars,
and the mysteries of the waters,
I call upon your soul to arise and come unto Me.
For I am the soul of nature that gives life to the universe.
From me all things proceed and unto me they must return.

I am the Queen of Magick and the Dark of the Moon, 
hidden in the deepest night. 
I am the mystery of the Otherworlds 
and the fear that coils about your heart 
in the times of your trials. 

I am the soul of nature that gives form to the universe; 
it is I who awaits you at the end of the spiral dance. 

Most ancient among gods and mortals, 
let my worship be within the heart that has truly tasted life, 
for behold all acts of magick and art are my pleasure 
and my greatest ritual is love itself
Therefore let there be beauty in your strength, 
compassion in your wrath, 
power in your humility, 
and discipline balanced through mirth and reverence. 

You who seek to remove my veil and behold my true face, 
know that all your questioning and efforts are for nothing, 
and all your lust and desires shall avail you not at all. 

For unless you know my mystery, 
look wherever you will, it will elude you, 
for it is within you and nowhere else. 

For behold, I have ever been with you, 
from the very beginning, 
the comforting hand that nurtured you in the dawn of life, 
and the loving embrace that awaits you at the end of each life, 
for I am that which is attained at the end of the dance, 
and I am the womb of new beginnings, 
as yet unimagined and unknown.



Jim Garrison





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O mar nos olhos






Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes 
e calma



Sophia de Mello Breyner Andresen







domingo, 24 de fevereiro de 2013

Receita de Casa






Uma casa deve ter varandas para sonhar,
cantos confortáveis para chorar,
salas bonitas para os amigos bem receber,
cantos para os segredos desabafar,
para as confidências, e para o bem amar.

Uma casa precisa um ninho ser,
pois o amor precisa de espaço para crescer,
de alguns empurrões para saltar e voar,
muita liberdade para querer ficar,
alguns espaços para conceber e procriar,
jardins para a alegria plantar.

Uma casa precisa de muito amor,
cuidados para não ter medo de alguém partir,
um pouco de ciúmes para proteger,
amizade para o companheirismo perdurar,
o dom de sempre surpreender,
e enfeitiçar sempre para durar.

Uma casa precisa ser um bom e doce lar,
com muita cumplicidade a esbanjar,
união e somatório para ter sempre o que dar,
família grande para ter a vida sempre a se doar,
um grande amor - lógico - para nos realizar.


Lia Luft





sábado, 23 de fevereiro de 2013

Pastelaria






Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante

Afinal o que importa é não ter medo: 
fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra 


Mário Cesariny




sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Entender uma mulher






Para entender uma mulher
é preciso mais que deitar-se com ela… 
Há que se ter mais sonhos e cartas na mesa
que se possa prever nossa vã pretensão… 

Para possuir uma mulher
é preciso mais do que fazê-la sentir-se em êxtase numa cama, em uma seda,
com toda viril possibilidade… 
Há que conseguir fazê-la sorrir antes do próximo encontro. 

Para conhecer uma mulher,
mais que em seu orgasmo,
tem de ser mais que amante perfeito… 
Há que se ter o jeito certo ao sair,
e fazer da saudade e das lembranças, todo sorriso… 
O potente, o amante, o homem viril, são homens bons…
 bons homens de abraços e passos firmes…
bons homens para se contar histórias… 
Há, porém, o homem certo, de todo instante: O de depois!

Para conquistar uma mulher,
mais que ser este amante,
há que se querer o amanhã, e depois do amor um silêncio de cumplicidade…
e mostrar que o que se quis é menor do que o que não se deve perder.
É esperar amanhecer, e nem lembrar do relógio ou café… 
Há que ser mulher, por um triz e, então, ser feliz!

Para amar uma mulher,
mais que entendê-la,
mais que conhecê-la,
mais que possuí-la,
é preciso honrar a obra de Deus,
e merecer um sorriso escondido,
e também ser possuído e,
 ainda assim,
também ser viril…

Para amar uma mulher,
mais que tentar conquistá-la,
há que ser conquistado…
todo tomado e,
com um pouco de sorte,
também ser amado!


Carlos Drummond de Andrade





quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

BRUXARMS





Metade de mim é fada,
a outra metade é bruxa.
Uma escreve com o sol,
a outra escreve com a lua.
Uma anda pelas ruas
cantarolando baixinho.
A outra caminha de noite,
dando de comer à sua sombra.
Uma é séria, a outra sorri,
uma voa, a outra é pesada.
Uma sonha dormindo,
a outra sonha acordada.
Cabe a você decifrar me ...


Roseana Murray





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Alma de fada, carma de bruxa num corpo de Deusa






Alma de fada, carma de bruxa num corpo de Deusa.
Tenho sombra felina, quatro patas, garras e pêlos.
E deixo rastros para que me siga...
Sussurro em sonhos noturnos para que me decifre.

Eu encho tua vida de sinais
Para que tenha vontade de encontrá-La, libertá-La e amá-La.
Sou a música, a poesia, a arte e o encanto
O sopro, o tiro, cheiro de cama, Eu de tudo um tanto.

E sou selvagem... Elfa, demônio, anjo, raposa.
E sou a dona da matilha, amante e esposa.
E serei tudo que te dira que estas vivo
quando achar que chegamos ao fim.

Sei sentir, disfarçar e amar profundamente
Sei trazer para perto, repelir, criar e destruir.
A que faz rir, o ponto para fazer o olho brilhar
E o olho Dela brilha...

Dou mais sabor ao culto da paixão...
Porque sou celestial, selvagem, sublime.
Dá mais sentido a vida...
Ser o casulo, as asas, o rumo e a libertação.


Carolina Salcides





terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

TABACARIA



Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chave, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamos-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o deconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,

Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.



Álvaro de Campos





segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

To Love a man






"If you want to change the world
Love a man; really love him
Choose the one whose Soul calls to yours clearly who sees you;
who is brave enough to be afraid
Accept his hand and guide him gently to your hearts blood
Where he can feel your warmth upon him and rest there
And burn his heavy load in your fires
Look into his eyes look deep within and see what lies
dormant or awake or shy or expectant there
Look into his eyes and see there his fathers and grandfathers
and all the wars and madness their spirits fought
in some distant land, some distant time
Look upon their pains and struggles and torments and guilt;
without judgment
And let it all go
Feel into his ancestral burden
And know that what he seeks is safe refuge in you
Let him melt in your steady gaze
And know that you need not mirror that rage
Because you have a womb, a sweet,
deep gateway to wash and renew old wounds

If you want to change the world
Love a man,
really love him
Sit before him, in the full majesty of your woman
in the breath of your vulnerability
In the play of your child innocence in the depths of your death
Flowering invitation, softly yielding,
allowing his power as a man
To step forward towards you…
and swim in the Earth’s womb,
in silent knowing, together

And when he retreats…
because he will…
flees in fear to his cave…
Gather your grandmothers around you…
envelope in their wisdoms
Hear their gentle shusshhhed whispers,
calm your frightened girls’ heart
Urging you to be still…
and wait patiently for his return
Sit and sing by his door, a song of remembrance,
that he may be soothed, once more

If you want to change the world,
love a man, really love him
Do not coax out his little boy
With guiles and wiles and seduction and trickery
Only to lure him…to a web of destruction
To a place of chaos and hatred
More terrible than any war fought by his brothers
This is not feminine this is revenge
This is the poison of the twisted lines
Of the abuse of the ages, the rape of our world
And this gives no power to woman
it reduces her as she cuts off his balls
And it kills us all
And whether his mother held him or could not
Show him the true mother now
Hold him and guide him in your grace and your depth
Smoldering in the center of the Earth’s core
Do not punish him for his wounds
that you think don’t meet your needs or criteria
Cry for him sweet rivers
Bleed it all back home

If you want to change the world
love a man, really love him
Love him enough to be naked and free
Love him enough to open your body and soul
to the cycle of birth and of death
And thank him for the opportunity
As you dance together through the raging winds and silent woods
Be brave enough to be fragile and let him drink in the soft,
heady petals of your being
Let him know he can hold you stand up and protect you
Fall back into his arms and trust him to catch you
Even if you’ve been dropped a thousand times before
Teach him how to surrender by surrendering yourself
And merge into the sweet nothing, of this worlds’ heart

If you want to change the world,
love a man, really love him
Encourage him, feed him, allow him, hear him, hold him, heal him
And you, in turn, will be nourished and supported and protected
By strong arms and clear thoughts and focused arrows
Because he can,
if you let him,
be all that you dream.



Lisa Citore






domingo, 17 de fevereiro de 2013

To Love a woman






If you want to change the world… 
Love a woman-really Love her.
Find the one who calls to your soul, who doesn’t make sense.
Throw away your check list and put your ear to her heart and listen.

Hear the names, the prayers, the songs of every living thing - every winged one,
every furry and scaled one, every underground and underwater one,
every green and flowering one, every not yet born and dying one…
Hear their melancholy praises back to the One who gave them life.
If you haven’t heard your own name yet, you haven’t listened long enough.
If your eyes aren’t filled with tears, if you aren’t bowing at her feet,
 you haven’t ever grieved having almost lost her.

If you want to change the world…
love a woman-one woman beyond yourself, beyond desire and reason,
beyond your male preferences for youth,
beauty and variety and all your superficial concepts of freedom.
We have given ourselves so many choices
we have forgotten that true liberation comes from standing
in the middle of the Soul’s fire and burning through our resistance to Love.

-There is only one Goddess.
Look into Her eyes and see, really See!
if she is the one to bring the axe to your head..

If not, walk away. Right now!
Don’t waste time “trying.”
Know that your decision has nothing to do with her
because ultimately it’s not with who,
but 'when' we choose to surrender.

If you want to change the world… Love a woman.
Love her for life-beyond your fear of death,
beyond your fear of being manipulated
by the Mother inside your head.
Don’t tell her you’re willing to die for her.
Say you’re willing to LIVE with her,
plant trees with her and watch them grow.
Be her hero by telling her how Beautiful she is in her vulnerable Majesty,
by helping her to remember every day that she IS Goddess
through your adoration and devotion.

If you want to change the world… Love a woman
in all her faces, through all her seasons
and she will Heal you of your schizophrenia-
your double-mindedness and half-heartedness
which keeps your Spirit and body separate-
which keeps you alone and always looking outside your Self
for something to make your life worth living.
There will always be another woman..
Soon the new shiny one will become the old dull one
and you’ll grow restless again, trading in women like cars,
trading in the Goddess for the latest object of your desire.

Man doesn’t need any more choices.
What man needs is Woman, the Way of the Feminine,
of Patience and Compassion, non-seeking, non-doing,
of breathing in one place and sinking deep intertwining roots
strong enough to hold the Earth together
while she shakes off the cement and steel from her skin.

If you want to change the world… love a woman, just One woman.

Love and protect her as if she is the last holy vessel.
Love her through her fear of abandonment
which she has been holding for all of humanity.
No, the wound is not hers to heal alone.
No, she is not weak in her codependence.
If you want to change the world… Love a woman
all the way through until she believes you,
until her instincts, her visions, her voice, her art, her passion,
her wildness have returned to her- until she is a force of love
more powerful than all the political media demons
who seek to devalue and destroy her.

If you want to change the world,
lay down your causes, your guns and protest signs.
Lay down your inner war, your righteous anger
and Love a woman…beyond all of your striving for greatness,
beyond your tenacious quest for enlightenment.
The holy grail stands before you
if you would only take her in your arms
and let go of searching for something beyond this intimacy.

What if peace is a dream which can only be
 re-membered through the heart of Woman?
What if a man’s love for Woman, the Way of the Feminine
is the key to opening Her heart?
If you want to change the world…Love a woman
to the depths of your shadow,
to the highest reaches of your Being,
back to the Garden where you first met her,
to the gateway of the Rainbow realm
where you walk through together as Light as One,
to the point of no return,
to the ends and the beginning of a new Earth.


Lisa Citore





sábado, 16 de fevereiro de 2013

NESTA LUZ QUE ME FASCINA E ME SEDUZ






lá fora
há um mundo que me apela e me repele
um sem número de vozes que me ferem os silêncios
e uma luz que me fascina e me seduz

aqui
vivo desnudada em abrigo
fechado aos olhares de quem habita nesse mundo
que me apela e me repele

aqui
nesta casa que me habita
tenho a alma repleta de destroços
tenho dores que me fatigam os sonhos invisíveis

e a luz que me fascina
em apelo de multidão
agarra-me pelos braços e arrasta-me desta casa
para lá,
lá para fora

sinto-me perdida
nessa luz que me fascina e me seduz...


João Carlos Esteves




sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SAUDADES






Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo a tua sombra, teu desejo,
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trêmula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono



MIA COUTO, 
in RAIZ DO ORVALHO E OUTROS POEMAS






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

EU SOU O QUE 'EU SOU'!






Vem. 
Conversemos através da alma. 
Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos. 
Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa. 
Entendamos-nos pelos pensamentos, sem língua, sem lábios. 
Sem abrir a boca,
contemos-nos todos os segredos do mundo,
como faria o intelecto divino. 
Fujamos dos incrédulos
que só são capazes de entender se escutam palavras e vêm rostos. 
Ninguém fala para si mesmo em voz alta. 
Já que todos somos um, falemos desse outro modo. 
Como podes dizer à tua mão : "toca",
se todas as mãos são uma? 
Vem, conversemos assim. 
Os pés e as mãos conhecem o desejo da alma. 
Fechemos pois a boca e conversemos através da alma. 
Só a alma conhece o destino de tudo,
passo a passo. 
Vem, se te interessas, posso mostrar-te.

Na verdade, somos uma só alma, 
Tu e eu, nos mostramos e nos escondemos tu em mim, 
Eu em ti, eis aqui o sentido profundo da minha relação contigo 
Porque não existe,
entre tu e eu,
nem eu,
nem tu... 


Rumi





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Assim eu vejo a vida





A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.


Cora Coralina





terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

EXPLICAÇÃO DA ETERNIDADE



devagar, o tempo transforma tudo em tempo. 
o ódio transforma-se em tempo, o amor 
transforma-se em tempo, a dor transforma-se 
em tempo. 

os assuntos que julgámos mais profundos, 
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, 
transformam-se devagar em tempo. 

por si só, o tempo não é nada. 
a idade de nada é nada. 
a eternidade não existe. 
no entanto, a eternidade existe. 

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. 
os instantes do teu sorriso eram eternos. 
os instantes do teu corpo de luz eram eternos. 

foste eterna até ao fim. 


JOSÉ LUÍS PEIXOTO 
in A CASA, A ESCURIDÃO







segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Tentaremos passar






Os meus dedos costumam andar loucos
sobre a tua pele
ou folheando livros
ou segurando com impaciência
os auscultadores dos telefones.
Já alguma vez reparaste nos meus dedos?
Eles vieram do fundo de um rio de prata
como a Excalibur
e um dia hão-de lá voltar manchados de sangue,
talvez já rugosos e sem harmonia
incapazes
frios
tolerantes.
Por enquanto eles abrem brechas
derrubam árvores e cavam trincheiras
constroem cercas para o amor
alisam as penas do medo
e pagam adiantado o serviço do corpo que os mantêm vivos
capazes de acusar
de perdoar
de colocar um rastilho de dinamite na boca do silêncio
de violentar qualquer noite
escorando os túneis que vão dar à insatisfação e ao inferno.
Se os meus dedos segurarem os teus
o que é que de novo acontece?
Construiremos uma casa, uma cabana, um palácio?
Repetiremos o percurso até à exaustão?
Quero acreditar que desconheço o caminho
e que a sua erva terá aos nossos pés uma nova resposta.
É aliciante pensar que chegaremos onde
ainda hoje não poderemos pensar.
Não adianta encher as mãos.
Quando há que caminhar-se muito
não convém demasiado peso.
Já basta o coração.
Ele transportará a inquietação,
carregará todas as dúvidas,
e talvez tropece na sua própria angústia
ou fique preso na armadilha.
De qualquer modo, dá-me as tuas mãos.
Aqui tens as minhas.
Tentaremos passar. 



JOAQUIM PESSOA
in 125 POEMAS - ANTOLOGIA POÉTICA






domingo, 10 de fevereiro de 2013

Caminho Interior






"O nosso caminho é interior. Este é o caminho
mais difícil, a viagem mais dolorosa. 
Somos responsáveis por nosso próprio aprendizado.
Esta responsabilidade não pode ser colocada
nos ombros de outra pessoa, de algum guru.
Ele está dentro de nós.

Cada indivíduo deve procurar seu próprio rumo
em busca da paz e do equilíbrio, não se 
conformando em viver pela metade, nem aceitando
carregar o fardo de angústias, culpas e conflitos.

O crescimento de cada pessoa e sua busca de
felicidade seguem caminhos próprios, e o critério
para avaliar o acerto do rumo escolhido se baseia 
na satisfação interior. Não é possível uniformizar
os meios e as experiências usadas para o 
desenvolvimento de cada um, nem determinar o
ritmo e o tempo em que os processos se dão."





sábado, 9 de fevereiro de 2013

Silenciosa escolha





silenciosa
percorres o trilho da tua vontade

fechas o sentir
em oclusão das vozes circundantes
que não falam a linguagem da tua alma

antes vagueiam em teu redor
sem nada dizer...

silenciosa
percorres o trilho do teu desejo

e encerras em ti os sonhos
que te alimentam momentos serenos
e definem onde queres estar...

silenciosa
abraças a vida
que escolhes sem reservas
e que nem todos entendem porquê...


João Carlos Esteves





sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A AGUARDO OS SONHOS, PONTUAIS COMO A NOITE






Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.


MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA
in POESIA REUNIDA 





quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Love





When love beckons to you, follow him,
Though his ways are hard and steep.
And when his wings enfold you yield to him,
Though the sword hidden among his pinions may wound you.
And when he speaks to you believe in him,
Though his voice may shatter your dreams
as the north wind lays waste the garden.

For even as love crowns you so shall he crucify you. Even as he is for your growth so is he for your pruning.
Even as he ascends to your height and caresses your tenderest branches that quiver in the sun,
So shall he descend to your roots and shake them in their clinging to the earth.

Like sheaves of corn he gathers you unto himself.
He threshes you to make you naked.
He sifts you to free you from your husks.
He grinds you to whiteness.
He kneads you until you are pliant;
And then he assigns you to his sacred fire, that you may become sacred bread for God's sacred feast.

All these things shall love do unto you that you may know the secrets of your heart, and in that knowledge become a fragment of Life's heart.

But if in your fear you would seek only love's peace and love's pleasure,
Then it is better for you that you cover your nakedness and pass out of love's threshing-floor,
Into the seasonless world where you shall laugh, but not all of your laughter, and weep, but not all of your tears.
Love gives naught but itself and takes naught but from itself.
Love possesses not nor would it be possessed;
For love is sufficient unto love.

When you love you should not say, "God is in my heart," but rather, "I am in the heart of God."
And think not you can direct the course of love, for love, if it finds you worthy, directs your course.

Love has no other desire but to fulfill itself.
But if you love and must needs have desires, let these be your desires:
To melt and be like a running brook that sings its melody to the night.
To know the pain of too much tenderness.
To be wounded by your own understanding of love;
And to bleed willingly and joyfully.
To wake at dawn with a winged heart and give thanks for another day of loving;
To rest at the noon hour and meditate love's ecstasy;
To return home at eventide with gratitude;
And then to sleep with a prayer for the beloved in your heart and a song of praise upon your lips.


Khalil Gibran