sábado, 30 de abril de 2016

Magnificat






Quando é que passará esta noite interna, o universo, 
E eu, a minha alma, terei o meu dia? 
Quando é que despertarei de estar acordado? 
Não sei. O sol brilha alto, 
Impossível de fitar. 
As estrelas pestanejam frio, 
Impossíveis de contar. O coração pulsa alheio, 
Impossível de escutar. Quando é que passará este drama sem teatro, 
Ou este teatro sem drama, 
E recolherei a casa? 
Onde? Como? Quando? 
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo? 
É esse! É esse! Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei; 
E então será dia. Sorri, dormindo, minha alma! 
Sorri, minha alma, será dia !


Álvaro de Campos




quinta-feira, 28 de abril de 2016

Ama-me







Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora. 
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura. 

Ama-me. Embora eu te pareça 
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.


Hilda Hilst





quarta-feira, 27 de abril de 2016

Projecções





Alguien me dijo que yo era una amargada,
que estaba llena de veneno,
que no me quería nadie,
que no jodía, 
Me lo dijo una mujer,
una mujer
que quería que yo supiera
que ella
no estaba amargada,
que ella no tenía veneno,
que a ella la querían y la jodían.



Herminia Delgado-Núñez






Canção de mim Mesmo 50







Há isso em mim — eu não sei o que isso é — mas sei que está em mim.

Angustiado e suado — calmo e tranquilo, então, meu corpo se torna,
Durmo — durmo por um longo tempo.

Não sei o que é — é algo que não tem nome — é uma palavra que jamais foi dita,
Não está em dicionário algum, expressão vocal, símbolo.
Balança sobre algo maior do que a terra em que balanço,
Para ele a criação é o amigo cujo abraço me desperta.

Talvez eu possa dizer mais. Perfis! Imploro por meus irmãos e irmãs.

Vedes, ó meus irmãos e minhas irmãs?
Não é o caos ou a morte — é a forma, a união, o plano — é a vida eterna — é a Felicidade.


in, Song of Myself
Walt Whitman





segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não te amo, quero-te!





Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma.
E eu n’alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.



Almeida Garrett  
in, Folhas Caídas





quinta-feira, 21 de abril de 2016

so you want to be a writer?







if it doesn’t come bursting out of you
in spite of everything,
don’t do it.
unless it comes unasked out of your
heart and your mind and your mouth
and your gut,
don’t do it.
if you have to sit for hours
staring at your computer screen
or hunched over your
typewriter
searching for words,
don’t do it.
if you’re doing it for money or
fame,
don’t do it.
if you’re doing it because you want
women in your bed,
don’t do it.
if you have to sit there and
rewrite it again and again,
don’t do it.
if it’s hard work just thinking about doing it,
don’t do it.
if you’re trying to write like somebody
else,
forget about it.


if you have to wait for it to roar out of
you,
then wait patiently.
if it never does roar out of you,
do something else.

if you first have to read it to your wife
or your girlfriend or your boyfriend
or your parents or to anybody at all,
you’re not ready.

don’t be like so many writers,
don’t be like so many thousands of
people who call themselves writers,
don’t be dull and boring and
pretentious, don’t be consumed with self-
love.
the libraries of the world have
yawned themselves to
sleep
over your kind.
don’t add to that.
don’t do it.
unless it comes out of
your soul like a rocket,
unless being still would
drive you to madness or
suicide or murder,
don’t do it.
unless the sun inside you is
burning your gut,
don’t do it.

when it is truly time,
and if you have been chosen,
it will do it by
itself and it will keep on doing it
until you die or it dies in you.

there is no other way.

and there never was.



Charles Bukowski
in, sifting through the madness for the Word, the line, the way 





terça-feira, 19 de abril de 2016

Iluminar por dentro as palavras de todos os dias







Se eu pudesse iluminar por dentro as palavras de todos os dias
para te dizer, com a simplicidade do bater do coração,
que afinal ao pé de ti apenas sinto as mãos mais frias
e esta ternura dos olhos que se dão.

Nem asas, nem estrelas, nem flores sem chão
- mas o desejo de ser a noite que me guia
e baixinho ao bafo da tua respiração
contar-te todas as minhas covardias.

Ao pé de ti não me apetece ser herói
mas abrir-te mais o abismo que me dói
nos cardos deste sol de morte viva.

Ser como sou e ver-te como és:
dois bichos de suor com sombra aos pés.
Complicações de luas e saliva.


José Gomes Ferreira





segunda-feira, 18 de abril de 2016

Para Sempre





que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.



Carlos Drummond de Andrade







domingo, 17 de abril de 2016

Caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem






caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
a terra estende-se infinita nos teus passos
ao passares o horizonte serás último
e partindo de mim avanças

caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
onde o lugar das palavras que esquecemos?
se o nosso mapa foi o sol e as manhãs
onde foi que nos perdemos?

caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
como um martírio triste como um homem cansado
como a morte ao fim da tarde como um rio
como um silêncio profundo a levar-te

caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
começam hoje os dias os meses os anos depois de ti
começa hoje a ser recordação apenas o quanto vivi
e partindo de mim avanças

caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
não vás porque a vida é aqui e o esquecimento é longe
mas tu não me ouves já avanças
e a noite segura-te por onde vais

caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
ainda agora partiste e és já uma memória desfocada
não vás porque a vida é aqui e o esquecimento é longe
e as minhas palavras não valem nada

caminha pelo teu corpo um silêncio como uma aragem
avanças devagar percorrendo um grande caminho
a tarde morre de repente num silêncio como uma aragem
e fico morto esquecido mutilado sozinho



José Luís Peixoto 
 in "A Criança em Ruínas"






sexta-feira, 15 de abril de 2016

Aos que vierem depois de nós







É verdade, vivo num tempo de sombras!
Uma palavra dita sem malícia
é sinal de tolice.
Uma testa sem rugas é sinal de indiferença.
Ri quem
Ainda não recebeu a terrível notícia.
Que tempos são esses, em que
Falar sobre árvores é quase um crime
Pois significa guardar silêncio sobre tanta injustiça?
Aquele que atravessa a rua tranquilo
Já está inacessível aos amigos
Que passam necessidades?
É verdade: eu ainda ganho o suficiente para viver.
Mas acreditem: é por acaso.
Nada do que faço
Me dá o direito de comer quando tenho fome.
Estou a ser poupado por acaso.
(Se a minha sorte me abandonar estou perdido.)
Há quem me diga: come e bebe!
Fica feliz por teres o que tens!
Mas como é que eu posso comer e beber
Se a comida que como é tirada a quem tem fome?
Se a água que bebo, faz falta a quem tem sede?
Mas mesmo assim, como e bebo.
Eu queria ser um sábio.
Nos livros antigos está escrito o que é a sabedoria:
Se conseguir manter-me afastado dos conflitos do mundo
E atravessar sem medo
O curto tempo que se tem para viver;
Seguir caminho sem violência;
Pagar o mal com o bem;
Não satisfazer os desejos, mas esquecê-los.
Sabedoria é isso!
Mas eu não consigo agir assim!
É verdade, eu vivo num tempo sombrio!
Eu vim para a cidade no tempo da desordem
Quando a fome reinava.
Eu cheguei ao convívio dos homens no tempo da revolta
E foi ao lado deles que me revoltei.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a Terra.
Eu comi o meu pão no meio das batalhas.
Para dormir, deitei-me entre assassinos.
Fiz amor sem muita atenção
E não tive paciência com a Natureza.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a Terra.
No meu tempo as ruas conduziam ao lodo,
E as palavras denunciavam-me ao carrasco.
Eu podia muito pouco, mas o poder dos patrões
Era mais seguro sem mim, espero.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a Terra.
As forças eram limitadas.
O objectivo permanecia muito distante.
Era visível com nitidez, mas para mim
Quase fora de alcance.
Assim se passou o tempo
Que me foi dado viver sobre a Terra.
Vós que ireis emergir
Das ondas em que nos afogamos.
Pensai quando falarem das nossas fraquezas,
Nos tempos sombrios a que tiveram a sorte de escapar.
Nós existíamos através das lutas de classes,
Mudando mais de país do que de sapatos,
Desesperados quando só havia injustiça
E não havia revolta.
Sabemos as seguintes coisas:
O ódio contra a baixeza
Também endurece o rosto;
A cólera contra a injustiça
Também faz a voz ficar rouca.
Infelizmente nós,
Que queríamos preparar o terreno para a amizade,
Não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.
Mas vós, quando chegar o tempo
Em que o Homem seja amigo do Homem,
Pensai em nós
Com simpatia.



Bertolt Brecht






quinta-feira, 14 de abril de 2016

Canção de mim Mesmo 49






E quanto a ti, Morte, e tu, amargo abraço da mortalidade, é inútil tentar me assustar.
Para o seu trabalho sem vacilo vem o parteiro
Vejo a mão do idoso pressionando, recebendo, auxiliando,
E me reclino sobre o peitoril das portas flexíveis e requintadas,
E indico a saída e indico o alívio e a fuga.

E quanto a ti, Corpo frio, penso que serás um bom adubo, mas isso não me ofende,
Sinto o perfume doce das rosas brancas que crescem,
Alcanço os lábios folhosos, alcanço os peitos polidos de melão.

E quanto a ti, Vida, reconheço-te nos restos de muitas mortes,
(Sem dúvida eu mesmo já morri umas dez mil vezes antes.)

Eu vos ouço assobiando aí, ó estrelas do Céu,
Ó sóis — ó relva dos túmulos — ó perpétuas transferências e promoções,
Se vós não dizeis nada, como eu posso dizer alguma coisa?

Do lago de águas turvas que jaz no meio da floresta outonal,
Da lua que desce as escarpas do crepúsculo murmurante,
Arremessai-vos, centelhas do dia e do anoitecer — arremessai-vos sobre os caules negros que apodrecem no esterco.
Arremessai-vos à algaravia dos galhos secos.

Subo da lua, subo da noite,
Percebo que o lampejo cadavérico são os raios do sol do meio-dia reflectidos,
E desemboco no que é estável e central, a partir de uma descendência grande ou pequena.


Walt Whitman
in, Song of Myself 





terça-feira, 12 de abril de 2016

A RUA DAS RIMAS







A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino
pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e
varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as
calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do
arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata...);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino
pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher
que bem me quer
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,
correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente,
para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito,
bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranquilidade:
RUA DA FELICIDADE...


Guilherme de Almeida




terça-feira, 5 de abril de 2016

Penso em ti







Penso em ti no silêncio da noite, quando tudo é nada,
E os ruídos que há no silêncio são o próprio silêncio,
Então, sozinho de mim, passageiro parado
De uma viagem em Deus, inutilmente penso em ti.
Todo o passado, em que foste um momento eterno
E como este silêncio de tudo.
Todo o perdido, em que foste o que mais perdi,
É como estes ruídos,
Todo o inútil, em que foste o que não houvera de ser
É como o nada por ser neste silêncio nocturno.
Tenho visto morrer, ou ouvido que morrem,
Quantos amei ou conheci,
Tenho visto não saber mais nada deles de tantos que foram
Comigo, e pouco importa se foi um homem ou uma conversa;
Ou um [...] assustado e mudo,
E o mundo hoje para mim é um cemitério de noite
Branco e negro de campas e [...] e de luar alheio
E é neste sossego absurdo de mim e de tudo que penso em ti.



Álvaro de Campos






domingo, 3 de abril de 2016

Canção de Mim Mesmo 48






Eu disse que a alma não é mais do que o corpo,
E disse que o corpo não é mais do que a alma,
E nada, nem Deus, é maior para um ser do que esse ser para si mesmo,
E quem quer que ande um estádio sem solidariedade caminha para seu próprio funeral vestindo sua mortalha,
E eu ou tu sem um centavo no bolso podemos comprar a nata da terra,
E vislumbrar com um olho, ou apresentar um grão na sua vagem, confundindo o conhecimento de todas as eras,
E não há negócio ou emprego em que um jovem, seguindo a carreira, não se possa tornar um herói,
E não há objecto que seja tão delicado que não possa funcionar como o centro em que se ligam todas as rodas que movem o Universo,
E digo para qualquer homem ou mulher,
Deixe que sua alma esteja tranquila e íntegra perante um milhão de universos.

E digo para a humanidade, Não tenha curiosidade sobre Deus,
Pois eu que sou curioso sobre todas as coisas não tenho curiosidade alguma sobre Deus,
(Não há uma gama de termos grande o suficiente com a qual eu possa dizer o quanto estou em Paz sobre Deus e sobre a morte.)

Ouço e observo Deus em todos os objectos e ainda assim não compreendo Deus minimamente,
Nem posso compreender quem possa haver que seja mais maravilhoso do que eu.

Por que eu deveria ver Deus melhor do que este dia?
Eu vejo algo de Deus a cada hora das vinte e quatro horas do dia, e a cada momento,
Nos rostos de homens e mulheres eu vejo Deus, e em minha própria face no espelho,
Encontro cartas de Deus espalhadas pelas ruas e todas elas estão assinadas por Ele,
E deixo-as ficar onde se encontram, pois sei que onde quer que vá,
Outras virão pontualmente para toda a eternidade.



Walt Whitman
in, Song of Myself 





sábado, 2 de abril de 2016

As sem-razões do amor






Eu te amo porque te amo, 
Não precisas ser amante, 
e nem sempre sabes sê-lo. 
Eu te amo porque te amo. 
Amor é estado de graça 
e com amor não se paga. 

Amor é dado de graça, 
é semeado no vento, 
na cachoeira, no eclipse. 
Amor foge a dicionários 
e a regulamentos vários. 

Eu te amo porque não amo 
bastante ou demais a mim. 
Porque amor não se troca, 
não se conjuga nem se ama. 
Porque amor é amor a nada, 
feliz e forte em si mesmo.

 Amor é primo da morte, 
e da morte vencedor, 
por mais que o matem (e matam) 
a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade





Da Condição Humana




Todos sofremos.
O mesmo ferro oculto
Nos rasga e nos estilhaça a carne exposta.
O mesmo sal nos queima os olhos vivos.
Em todos dorme
A humanidade que nos foi imposta.
Onde nos encontramos, divergimos.
É por sermos iguais que nos esquecemos
Que foi do mesmo sangue,
Que foi do mesmo ventre que surgimos.



José Carlos Ary dos Santos 
 in, A Liturgia do Sangue / Obra Poética






TO DIE A LITTLE IN MY ARMS






I want to pull you into me.
The way a kiss pulls the soul
out of you. I want it all,
everything inside. I want to
open my mouth and see you
drowning in the bottom of my
stomach; where my laughter
dwells. There is no other way
to put it, I want my smile
to burn through your skull in
the worst way possible. I
want you to remember what it
is like to die a little in
my arms. To remember what it
is like to love. To fall and
barely survive the way down



R.M. Drake





sexta-feira, 1 de abril de 2016

Dez chamamentos ao amigo






Se te pareço nocturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.



Hilda Hilst