quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Cântico do País Emerso

 







 Os previdentes e os presidentes tomam de ponta
Os inocentes que têm pressa de voar
Os revoltados fazem de conta fazem de conta...
Os revoltantes fazem as contas de somar.

Embebo-me na solidão como uma esponja
Por becos que me conduzem a hospitais.
O medo é um tenente que faz a ronda
E a ronda abre sepulcros fecha portais;

Os edifícios são malefícios da conjura
Municipal de um desalento e de uma Porta.
Salvo a ranhura para sair o funeral
Não há inquilinos nos edifícios vistos por fora

Que é dos meninos com cataventos na aérea
Arquitetura de gargalhadas em cornucópia?
Almas bovinas acomodadas à matéria
Pastam na erva entre as ruínas da memória,

Homens por dentro abandalhados em unhas sujas
Que desleixaram seu coração num bengaleiro;
Mulheres corujas seriam gregas não fossem as negras
Nódoas deixadas na sua carne pelo dinheiro;

Jovens alheios à pulcritude do corpo em festa
Passam por mim como alamedas de ciprestes
E a flor de cinza da juventude é uma aresta
Que me golpeia abrindo vácuos de flores silvestres

E essa ansidedade de mim mesma me virgula
Paula de pátria entressonhada. É um crisol.
E, o fruto agreste da linfa ardente que em mim circula
Sabe-me a sol. Sabe-me a pássaro. Pássaro ao sol.

Entre mim e a cidade se ateia a perspectiva
De uma angústia florida em narinas frementes.
Apalpo-me estou viva e o tacto subjectiva-me
a galope num sonho com espuma nos dentes.

E invoco-vos, irmãos, Capitães-Mores do Instinto!
Que me acenais do mar com um lenço cor da aurora
E com a tinta azulada desse aceno me pinto.
O cais é a urgência. O embarque é agora.


Natália Correia





domingo, 25 de setembro de 2022

O Grito

 

Jim Thornber





Não valia a pena esperar, ninguém viria
que nos segurasse a cabeça e nos pegasse nas mãos,
estávamos sós e essa solidão éramos nós;
e era indiferente sabê-lo ou não,
ou gritar (ou acreditar), porque ninguém ouvia:
o grito era a própria indiferença.
.
Presente, apenas presente;
a memória, presente,
a esperança, presente.
.
E, no entanto, houvera um tempo
em que tínhamos sido talvez felizes,
quando não nos dizia respeito a felicidade,
e em que tínhamos estado perto
de alguma coisa maior que nós
ou do nosso exacto tamanho.
.
Como um animal devorando-se
por dentro a si mesmo,
consumira-se, porém,
o pouco que nos pertencera, os dias e as noites,
a certeza e o deslumbramento, a cerejeira e a
palavra “cerejeira” ainda em carne na jovem boca.
.
Nenhuma beleza e nenhuma verdade que nos salvasse,
nenhuma renúncia que nos prendesse
ou nos libertasse, nenhuma compaixão que
nos devolvesse o ser
ou o mesmo,
ou fosse a morada de algo inumano como um coração.
.
Nenhuns passos ecoavam no grande quarto interior,
nenhumas pálpebras se abriam,
como poderíamos não nos ter perdido?
.
Entre 10 elevado a mais infinito
e 10 elevado a menos infinito,
uma indistinta presença impalpável na indiferença azul,
sós,
sem ninguém à escuta,
nem a nossa própria voz.



Manuel António Pina




sexta-feira, 23 de setembro de 2022

FECHA-ME OS OLHOS

 






 Fecha-me os olhos devagar, com um beijo leve,
com três palavras apenas:
dorme, parte, adeus.

Assim tenho de me despedir.
Deixo uma buganvília à entrada da porta branca,
um bairro de sombras floridas,
um cão a quem dei o meu nome.

Deixo a casa amarela,
o limoeiro, as hortênsias, duas estrelícias na
jarra vermelha,
translúcida,
sobre a mesa de mogno.

Deixo alguns livros,
algumas paisagens de litorais desvanecidos,
alguns naufrágios que desenhei com o lápis das
tempestades.

Por favor,
não digam que fui feliz, se não me viram
caminhar pelas ruas desertas,
esmagando a serpente dos dias,
construindo muralhas,
que pouco depois se desmoronavam.

Eles também se despediram, os amigos.

Quando me lembro deles,
há um cântico negro,
com labaredas altivas, um eco de metal que vibra.

Não está certo que assim seja, que se soltem do
nosso peito, um após outro,
os delicados fios de ouro da ternura.

Deixo-vos as maçãs verdes sobre a mesa.
Com o tempo, tudo há-de amadurecer.



JOSÉ AGOSTINHO BAPTISTA
in, Esta voz é quase o vento




terça-feira, 20 de setembro de 2022

na ferida escondida no fundo da camisa

 


Planet Flem







 Algumas pessoas vendem o seu sangue. 
Tu vendes o teu coração.
Era isso ou a alma.
A parte difícil é tirar a maldita coisa para fora.
Uma espécie de torção. Como abrir uma ostra,
a tua espinha, um pulso,
e depois, upa! Está na tua boca.
Viras-te parcialmente do avesso
como uma anémona do mar a cuspir um seixo.
Há um “plop”quebrado, o som
de vísceras de peixe a cair num balde.
E ali está, um enorme coágulo vermelho escuro
do passado ainda-vivo, a cintilar inteiro no prato.
Vai passando de mão em mão. É escorregadio. É deixado cair.
Mas também degustado. Muito grosseiro, diz um. Muito salgado.
Muito amargo, diz outro, fazendo uma cara.
Cada um é um gourmet instantâneo,
e tu ficas a ouvir isto tudo
a um canto, como um empregado de mesa recém-contratado,
a tua mão tímida e habilidosa na ferida escondida
no fundo da camisa e peito,
timidamente, sem coração.


Margaret Atwood









sexta-feira, 16 de setembro de 2022

O gosto humilde da tristeza

 

Engin Akyurt






 Quando perderes o gosto humilde da tristeza, 
Quando, nas horas melancólicas do dia, 
Não ouvires mais os lábios da sombra 
Murmurarem ao teu ouvido 
As palavras de voluptuosa beleza 
Ou de casta sabedoria; 

Quando a tua tristeza não for mais que amargura, 
Quando perderes todo estímulo e toda crença,
- A fé no bem e na virtude, 
A confiança nos teus amigos e na tua amante, 
Quando o próprio dia se te mudar em noite escura 
De desconsolação e malquerença; 

Quando, na agonia de tudo o que passa 
Ante os olhos imóveis do infinito, 
Na dor de ver murcharem as rosas, 
E como as rosas tudo o que é belo e frágil, 
Não sentires em teu ânimo aflito 
Crescer a ânsia de vida como uma divina graça; 

Quando tiveres inveja, quando o ciúme 
Crestar os últimos lírios de tua alma desvirginada; 
Quando em teus olhos áridos 
Estancarem-se as fontes das suaves lágrimas 
Em que se amorteceu o pecaminoso lume 
De tua inquieta mocidade: 

Então, sorri pela última vez, tristemente, 
A tudo o que outrora 
Amaste. Sorri tristemente... 
Sorri mansamente... em um sorriso pálido... pálido 
Como o beijo religioso que puseste 
Na fronte morta de tua mãe... sobre a tua fronte morta...


Manuel Bandeira




terça-feira, 13 de setembro de 2022

O Progresso de Édipo

 






Estranheza de ser. De agoniado
Espanto sou feita num sonho naufragado.
Tempo emprestado com um astro louco ao fundo.

Sitiada por trevas não descanso
De indagar minha essência e só me alcanço
Na loucura de não ser deste mundo. 


...


Na febre de buscar o senso à vida
Descubro-me dor de alma inacabada.
Poeira em forma breve reunida
No seu nexo de chama encarcerada. 

Nascer é um deus que prega uma partida
À inteligência universal do nada?
E ao fim a morte … talvez uma saída?
Ou nos confins do ser esperançosa entrada?

Estranha a mim na assombração do enigma
Ubíqua estou atada ao tempo, o estigma
A procurar-me sob a máscara, o rosto.

Mais se crispa o mistério na procura
De Deus nenhum sinal. Só à loucura
Do universo meu coração exposto


...


Melhor é ir. Atravessar o muro,
Seguir na barca que passa o golfo escuro
E ao Grande Enigma abandonar os remos.




Natália Correia
in, O Progresso de Édipo - Poema Dramático





Édipo o Rei

 

Busto de Sófocles




Terei eu também de aceitar o estigma com que esses demónios me
marcaram, de que todo aquele que arrancar a máscara da esfinge terá de
cometer um crime contra a própria natureza?

...


Difícil é esgrimir contigo usando estas palavras que os mortais fabricam
para comunicarem. Porque tu decifraste o enigma da esfinge e por isso és
conhecido como sábio. Mas queres o conselho dum pobre homem que só tem
o dom da vidência quando os deuses se lembram dele, escuta: se quiseres que
as tuas razões prevaleçam sobre a razão dos aedos não empregues a sabedoria.
São as suas almas que comunicam com os deuses. Por isso dizemos deles que
são homens sem cabeça. 

...


A verdade é que eu não vim a Tebas nem para ser rei nem para ser cego.
E ambas as coisas terei de suportar com ânimo de rei. 


...


O caso é que um trono não se obtém de graça. Para chegar a ele quase
todos contraem a cegueira da alma. É uma cegueira que eles provocam para
que o coração não seja um hóspede demasiado importuno no peito dum
monarca. 


...


Cegueira! Crês verdadeiramente que eu seja cego? Haverá de facto
cegueira no mundo? Não será sempre a mesma luz que nos pertence por
direito de nascença e que voltamos para dentro de nós quando as pálpebras se
fecham sobre as formas supérfluas do nosso sentir? Já pensaste, minha bem
amada, que os cegos trazem dentro de si, intacto, esse clarão, que só anima as
coisas essenciais porque o não desperdiça a volubilidade das pupilas? 


...


Não há regresso. Na verdade, nenhuma viagem nos permite verdadeiro
regresso. O retorno é apenas mais uma cadeia do nosso constante progresso. 


...


Dum só golpe eu desatei o nó sagrado da família. Nem um ramo deixei
de pé. Quando mergulhares a ponta desta espada no peito do teu filho, punirás
duma só estocada o parricida que te fez viúva, o filho incestuoso que te
arrastou ao crime e o irmão assassino que provocou a orfandade dos teus
filhos. 


...


Que faz a Rainha? Em vez de embeber a espada no coração
do Rei, fere com a ponta da lâmina as pupilas atónitas do amante. Poderão os
dois pôr uma pedra sobre o pecado e regressarem depois à inocência?


...


Sófocles
in, Édipo Rei




segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Quando analiso a conquistada fama

 






Quando analiso
a conquistada fama dos heróis
e as vitórias dos grandes generais,
não sinto inveja desses generais
nem do presidente na presidência
nem do rico na sua vistosa mansão;
mas quando eu ouço falar
do entendimento fraterno entre dois amantes,
de como tudo se passou com eles,
de como juntos passaram a vida
através do perigo, do ódio, sem mudança
por longo e longo tempo atravessando
a juventude e a meia-idade e a velhice
sem titubeios, de como leais
e afeiçoados se mantiveram
— aí então é que eu me ponho pensativo
e saio de perto à pressa
com a mais amarga inveja.


WALT WHITMAN
in "Leaves of Grass"




quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Súmula

 

Kasia Derwinska




 Minha cabeça estremece com todo o esquecimento.
Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.
Falo, penso.
Sonho sobre os tremendos ossos dos pés.
É sempre outra coisa, uma
só coisa coberta de nomes.
E a morte passa de boca em boca
com a leve saliva,
com o terror que há sempre
no fundo informulado de uma vida.
Sei que os campos imaginam as suas
próprias rosas.
As pessoas imaginam os seus próprios campos
de rosas. E às vezes estou na frente dos campos
como se morresse;
outras, como se agora somente
eu pudesse acordar.

Por vezes tudo se ilumina.
Por vezes canta e sangra.
Eu digo que ninguém se perdoa no tempo.
Que a loucura tem espinhos como uma garganta.
Eu digo: roda ao longe o outono,
e o que é o outono?
As pálpebras batem contra o grande dia masculino
do pensamento.

Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra.
Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.

- Era uma casa - como direi? - absoluta.

Eu jogo, eu juro.
Era uma casinfância.
Sei como era uma casa louca.
Eu metia as mãos na água: adormecia,
relembrava.
Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.

Apalpo agora o girar das brutais,
líricas rodas da vida.
Há no esquecimento, ou na lembrança
total das coisas,
uma rosa como uma alta cabeça,
um peixe como um movimento
rápido e severo.
Uma rosapeixe dentro da minha ideia
desvairada.
Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
Porque o amor das coisas no seu
tempo futuro
é terrivelmente profundo, é suave,
devastador.

As cadeiras ardiam nos lugares.
Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimento
como seres pasmados.
Às vezes riam alto. Teciam-se
em seu escuro terrífico.
A menstruação sonhava podre dentro delas,
à boca da noite.
Cantava muito baixo.
Parecia fluir.
Rodear as mesas, as penumbras fulminadas.
Chovia nas noites terrestres.
Eu quero gritar paralém da loucura terrestre.
- Era húmido, destilado, inspirado.
Havia rigor. Oh, exemplo extremo.
Havia uma essência de oficina.
Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras,
com as suas maçãs centrípetas
e as uvas pendidas sobre a maturidade.
Havia a magnólia quente de um gato.
Gato que entrava pelas mãos, ou magnólia
que saía da mão para o rosto
da mãe sombriamente pura.
Ah, mãe louca à volta, sentadamente
completa.
As mãos tocavam por cima do ardor
a carne como um pedaço extasiado.

Era uma casabsoluta - como
direi? - um
sentimento onde algumas pessoas morreriam.
Demência para sorrir elevadamente.
Ter amoras, folhas verdes, espinhos
com pequena treva por todos os cantos.
Nome no espírito como uma rosapeixe.

- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueados
agora nas palavras.
Prefiro cantar nas varandas interiores.
Porque havia escadas e mulheres que paravam
minadas de inteligência.
O corpo sem rosáceas, a linguagem
para amar e ruminar.
O leite cantante.

Eu agora mergulho e ascendo como um copo.
Trago para cima essa imagem de água interna.
- Caneta do poema dissolvida no sentido
primacial do poema.
Ou o poema subindo pela caneta,
atravessando seu próprio impulso,
poema regressando.
Tudo se levanta como um cravo,
uma faca levantada.
Tudo morre o seu nome noutro nome.

Poema não saindo do poder da loucura.
Poema como base inconcreta de criação.
Ah, pensar com delicadeza,
imaginar com ferocidade.
Porque eu sou uma vida com furibunda
melancolia,
com furibunda concepção. Com
alguma ironia furibunda.

Sou uma devastação inteligente.
Com malmequeres fabulosos.
Ouro por cima.
A madrugada ou a noite triste tocadas
em trompete. Sou
alguma coisa audível, sensível.
Um movimento.
Cadeira congeminando-se na bacia,
feita o sentar-se.
Ou flores bebendo a jarra.
O silêncio estrutural das flores.
E a mesa por baixo.
A sonhar.


Herberto Helder
in, «Ou o Poema Contínuo»





domingo, 4 de setembro de 2022

Tinha Paixão?

 

Sebastien Del Grosso




Li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?
quando alguém morre também eu quero saber da qualidade da sua paixão:
se tinha paixão pelas coisas gerais,
água,
música,
pelo talento de algumas palavras para se moverem no caos,
pelo corpo salvo dos seus precipícios com destino à glória,
paixão pela paixão,
tinha?
e então indago de mim se eu próprio tenho paixão,
se posso morrer gregamente,
que paixão?
os grandes animais selvagens extinguem-se na terra,
os grandes poemas desaparecem nas grandes línguas que desaparecem,
homens e mulheres perdem a aura
na usura,
na política,
no comércio,
na indústria,
dedos conexos, há dedos que se inspiram nos objectos à espera,
trémulos objectos entrando e saindo
dos dez tão poucos dedos para tantos
objectos do mundo
¿e o que há assim no mundo que responda à pergunta grega,
pode manter-se a paixão com fruta comida ainda viva,
e fazer depois com sal grosso uma canção curtida pelas cicatrizes,
palavra soprada a que forno com que fôlego,
que alguém perguntasse: tinha paixão?
afastem de mim a pimenta-do-reino, o gengibre, o cravo-da-índia,
ponham muito alto a música e que eu dance,
fluido, infindável,
apanhado por toda a luz antiga e moderna,
os cegos, os temperados, ah não, que ao menos me encontrasse a
paixão e eu me perdesse nela,
a paixão grega


Herberto Helder
in, Ofício Cantante




sexta-feira, 2 de setembro de 2022

CHUVA DOMÉSTICA

 








 Concede o teu perdão àquele que foste ontem 
e não te conhece hoje debaixo do chuveiro.
As casas não sabem nada de nós próprios 
e são paredes de hábitos,
casulos seculares.
Há vinte anos tu eras diferente, as casas não sabem nada,
dizia o outro e bem,
muito menos o tu que foste ontem sobre o tu que és hoje 
debaixo do chuveiro.

O que tu foste ontem não tem nada que ver com essa barba grossa,
com essa dor no dedo grande do pé
e que te dizem ser gota, e essa excitação precoce 
que te vem da memória 
e começou agora, extemporânea e ridícula, quando o dedo te dói 
e o tempo, como se fosse um século, tem um dia de vida,
uma noite, e falavam do ébola a invadir a europa.

Toda esta chuva minúscula que te caí na boca,
todo este desabar de água controlada e tépida te leva a esquecer 
o que é uma epidemia, foi ontem?
Que estranhas criaturas, hiper-protegidas,
desfilaram ontem como um sonho e hoje de manhã 
são um como um pesadelo?
A verdade é só uma, o que tu foste ontem
já não te conhece.

Não consintas que deus te sobreponha os dias 
aos mistérios do tempo.
Exige a cada minuto o seu próprio prazer e desilusão.
Por alma dos que lá tens coça o dedo grande do pé 
e fecha-me essa torneira. Tu ainda não reparaste,
mas a casa de banho é agora um lago.


Armando Silva Carvalho
in, A Sombra do Mar