terça-feira, 21 de março de 2023

Age Of Aquarius

 






 “The Age of Aquarius is here,
A time of change, a time to cheer,
The water-bearer brings a new dawn,
A world where love and peace are born.

 The old ways crumble, the new arise,
The veil is lifted, truth is realized,
With open hearts and minds we'll see,
The unity of all humanity.

 As we embrace this cosmic shift,
We're guided by the stars and their gifts,
We'll dance and sing in harmony,
With nature, love, and divinity.

 So let us welcome this new age,
Where love and light will pave the way,
With hope and joy in our hearts ablaze,
Let's create a better world today.”


 AI/Chat GPT




domingo, 19 de março de 2023

O Tempo Nos Teus Olhos

 







A história dos teus Olhos começou no Dia da Primeira Árvore 
quando as estrelas saíram dos poços para apodrecerem no céu.

Então as aves existiam apenas dentro da imaginação da luz 
e as flores ainda voavam no cio dos perfumes enlaçados.
O canto não tinha limites. Prolongava o silêncio 
até ao murmúrio das últimas constelações.

Foi então que os teus Olhos criaram o mundo.
Ordenaram as pedras com cuidado para não as acordar.
Pentearam os lagos com lírios.
Adormeceram os voos nas açucenas.
Separaram o mar das lágrimas dos homens
e deram às fogueiras este jeito de vento e de cabelos.

E pouco a pouco os teus Olhos desfizeram-se no mundo.
Diluíram-se nos vales dos regatos de choro oculto,
na fixidez de remorso dos pirilampos,
nas pálpebras verdes do crepúsculo,
nos astros ainda trémulos de lágrimas no teu rosto.

E nesta Penumbra de coração em cinzas 
que me enreda e beija e quer e dói e ama,
e és tu, és tu, és tu a olhar para mim
- num envolver de braços no pescoço.


José Gomes Ferreira



quinta-feira, 9 de março de 2023

PROJECTO

 



 



Procuro a terra branca de um outro 
continente, os montes áridos de um litoral
tempestuoso, o fundo secreto de uns olhos
abertos para o coral da eternidade. Perdi-me
nessa procura; destruí os cadernos onde 
apontara o caminho. Como um cego,
estendi os braços para o ocaso de um infinito 
que os loucos desenharam. Bati contra 
os seus limites, e andei às voltas sem encontrar
uma fuga.

Mas vi saírem todos os barcos do porto
que imaginei. Tinha-o pensado com longos
cais vazios, e percorrera-o devagar, tropeçando
nas madeiras podres e nas cordas inúteis
de um velame corrupto. Por vezes, sentei-me 
nos caixotes desfeitos pelos vagabundos 
em busca de um resto de comida. Os cães 
vinham ter comigo e lambiam-me as mãos
como se eu fosse o seu dono.

Não sei o que levaram esses barcos; nem 
que sonho de felicidade se desfez nos olhos
vazios dos afogados.


Nuno Júdice
in, Fórmulas de uma luz inexplicável



quinta-feira, 2 de março de 2023

Tão pouco que somos

  




Manhãs há que se despedaçam nas pálpebras,
revolvem a íris,
arrancam-nos do sono, dos seus bancos da névoa,
de qualquer torpor

Estranhas núpcias celebra o homem com a mais 
recôndita vida.
Enlaçados percorremos a noite, derrubamos as suas pontes,
queremos do amor os perfumes,
a trágica magia -

isto é:
lançamos as redes aos mares, somos um peixe de ouro 
que abandona as escamas,
o covil de todos os tráficos, a mutação das cores.

É um estar subterrâneo, liquidamente.
Podíamos adorar as florestas interiores, os labirintos 
da água,
estremecer com os golpes do remador, com as 
rapidíssimas visões no intervalo das luas.

Seguimos a corrente, a flutuação dos líquenes,
olhamos devagar -
serão aqueles sobre a falésia os pescadores de 
estrelas?
Eles, impassíveis,
veneradores do oceano e do Cruzeiro do Sul, eles 
que amaram a cintilação das Pléiades?

Despertamos de repente, ao descerrar das persianas.
Viajámos muito:
uma anémona, corais, um vestígio de náufragos, o nome 
eis quanto trazemos à luz.

Em pleno dia, já não recordamos - esfinges de 
sal e sol envelhecendo - 
tão pouco que somos.


José Agostinho Baptista