quarta-feira, 26 de abril de 2023

Given To

  






I never feel more given to
than when you take from me –
when you understand the joy I feel
giving to you.

And you know my giving isn’t done
to put you in my debt,
but because I want to live the love
I feel for you.

To receive with grace
may be the greatest giving.
There’s no way I can separate
the two.

When you give to me,
I give you my receiving.
When you take from me, I feel so
given to.


Ruth Bebermeyer




Nunca me sinto mais presenteada 
Do que quando você recebe algo de mim 
Quando você compreende a alegria que sinto 
ao lhe dar algo.

E você sabe que estou dando aquilo não 
para fazer você ficar me devendo,
Mas porque quero viver o amor 
que sinto por você.

Receber algo com graciosidade 
pode ser a maior entrega.
Eu nunca conseguiria separar 
as duas. 

Quando você me dá algo, 
Eu lhe dou meu receber.
Quando você recebe algo de mim, eu me sinto tão 
presenteada.





terça-feira, 25 de abril de 2023

Own the fact that you are different








Own it, Own the fact that you are different. 
Own that you are a deep feeler and thinker. 
Own that you’re tuned into a different frequency. 
Own the fact that you sense things others don’t. 

Own the fact that you want to talk about energy, miracles and spirituality. 
Own that you’re done having meaningless conversations. 
Own that you’re done holding yourself back.
Own that you crave freedom to feel the now. 

It’s ok that your family don’t get you.  
It’s ok that you’re friends don’t join you. 
It’s ok that the world judges you.  
It’s ok that you want to dance barefoot upon the earth and endlessly gaze at the stars. 
It’s ok that you cry over sunsets and chase moonbeams.

It’s wonderful in fact.
It’s beautiful. 

You have come a long way to be who you are. 
So own it. Own all of it. 
Love all of you. 
The world needs you to be exactly as you are. 

You hold the balance in this crazy world.



Eryka Stanton




terça-feira, 18 de abril de 2023

PALAVRAS SÃO JANELAS (OU SÃO PAREDES)

 







 Sinto-me tão condenada por suas palavras,
Tão julgada e dispensada.
Antes de ir, preciso saber: Foi isso que você quis dizer?
Antes que eu me levante em minha defesa,
Antes que eu fale com mágoa ou medo,
Antes que eu erga aquela muralha de palavras,
Responda: eu realmente ouvi isso?
Palavras são janelas ou são paredes.
Elas nos condenam ou nos libertam.
Quando eu falar e quando eu ouvir,
Que a luz do amor brilhe através de mim.
Há coisas que preciso dizer,
Coisas que significam muito para mim.
Se minhas palavras não forem claras,
Você me ajudará a me libertar?
Se pareci menosprezar você,
Se você sentiu que não me importei,
Tente escutar por entre as minhas palavras
Os sentimentos que compartilhamos.


RUTH BEBERMEYER



sábado, 8 de abril de 2023

Não é inútil beijar as pedras

 








Todas as manhãs saía da solidão do bolor 
e vinha para a rua 
pintado de carne de fantasma.

E o espanto era que eu não ficasse esfarrapado nas árvores 
- nevoeiro com cabelos.

O espanto era que eu não atravessasse as paredes 
mesmo ao lado das portas.

O espanto era que eu continuasse fugidiamente real 
nos olhos dos outros.

Eu que muitas vezes chorava, muitas vezes ria, muitas vezes cantava 
- mas só para dar a ilusão de boca ao silêncio.

Eu, reflexo nas montras 
onde as mulheres de chuva me acariciavam com mãos de vidro.

Eu, corpo de fumo de um incêndio que não ardia.

Eu, a solidão das palavras.

Depois vieste tu.
Bateste à porta. Abriste a todos os alçapões.
Apagaste todos os frios. Varreste as raivas dos recantos.
E num despir de lágrimas disseste-me:
"Toma os meus olhos, são de carne mágica.
Vê-te nos meus olhos para seres real,
Abre-te nos meus olhos tão de espelho doido.
Veste-te dos meus olhos para além dos poços."

E eu pus-me a cantar a alegria do Segredo Novo.

(Não, não é inútil beijar as pedras.)


José Gomes Ferreira




sexta-feira, 7 de abril de 2023

TE DEUM

 




 A ti, ó deus, pousado como a coruja
de olhos cegos no tronco ressequido da eternidade;
a ti, que o vento de uma imprecação de profetas
loucos expulsa para a terra poeirenta
do fim, como se ainda pudesses anunciar
um recomeço de jardins e oceanos varridos
pela primeira luz; a ti, de asas envelhecidas
pelo curso das idades, e incapaz de sobrevoar
um campo de galáxias para descobrir o átomo
de um verbo inicial:

vem para dentro do tempo, e faz dele
o templo das tuas indecisões. Sobe ao velho
altar e fala aos crentes que te adoram, repetindo
devagar cada palavra que ouviste das suas
orações. Pedir-te-ão que não os imites, e quando te
aproximares deles voltar-te-ão as costas, a ti,
ó deus alquebrado. Então, dirás para
contigo, então sou um homem! E entrarás
no meio deles, para que te insultem,

a ti, ó deus, que finalmente
encontrarás o teu lugar nas tabernas do mundo,
bebendo o vinho barato dos marinheiros
e comendo o pão esfarelado da ressaca,
enquanto rezas a ti próprio – como
se ainda acreditasses em ti.


Nuno Júdice
in, Fórmulas de Uma Luz Inexplicável