domingo, 28 de maio de 2023

Who Am I?

 







Who am I you may well ask
I really wish I knew
If I am not myself at all
Then maybe I am you
To discover who I really am
Is really quite a task
Maybe I am someone else
Who wears a funny mask
I strive so hard to know myself
To discover the “real me”
My thoughts and feelings all confused
Yet still I cannot see
What makes me tick?
What makes me feel?
So very special and unique
My purpose in this glorious world
Is what I truly seek
I wish I could be creative, self confident and smart
Not quiet, shy and insecure
Emotional at heart
I wish I had the confidence to say what I really feel
Instead of fearing criticism
Uttering words that seem unreal
Why at times do I feel so alone
And just yearn for a friendly face
While at others I just long to be
In some far off distant place
With no one else to bother me
And disturb my rambling thoughts,
Until my conscience brings me back
To do the things I ought
And so I continue on my way
On this journey they call life
I try to do the best I can
Though at times the goings tough
I’ll do my part to refine the world
And make it a better place
By being “me” to my capacity
With each trial I have to face


Faigie Rabin




quinta-feira, 25 de maio de 2023

Que queres que te diga

 


 Pasárgada
Fars, Irão



 

Que queres que te diga?
Não estamos velhos, se isso te consola.
Mas também já soa mais a conversa.
Uns passos fora e as paisagens
já nos arreganham os dentes.
Entre fósforos apagados e calcanhares de aquiles,
eriçaram-se flores na carcaça do animal
que ia levar-nos daqui.

Baixou uma névoa não sei de onde,
e ando há semanas fodido
com os correios que já não asseguram
serviço de e para Pasárgada.
Ouve o que te digo: esta coisa
da realidade
está a meter água por todos os lados
e quem não se mandar agora
já não sai.

Qual poesia, qual caralho!
Depois de bater tudo, de ver os magrelas
dos cães a guerrearem por côdeas
entre os sacos de lixo da morte,
o que te digo é: nem faças as malas.
Onde quer que a gente venha
a fincar a bandeira dos ossos,
o passado só irá atrapalhar.

 
 
Diogo Vaz Pinto
in, De Aurora para os Cegos da Noite



 


quarta-feira, 24 de maio de 2023

The Maze

 






 I dislike uncertainty. Take no pleasure in the element of surprise.
I’ll carry the clipboard and checklists around
at my own birthday party. No need to leave anything to chance.

It was my son’s idea of course. There was a plastic pirate out front
and the promise of treasure at the end. I paid, then
shuffled behind, his voice ringing out, follow me - 

All glass and mirrors. I saw myself reflected a thousand times
all of them weary, impatient. Some days motherhood is just
din and obstacle. I was thinking about

the letter I had received. Another dead end
in my family search. No contact information, no forwarding address.
No one - no one - had been looking for me.

At a certain point, I stopped trying. Extended my arms and felt
along the walls for edges. It was cheating maybe but plodding along
without pleasure or intent doesn’t get you to the end any faster.

It’s been forty-five years. My mother, my father, they
are not getting any younger. Perhaps I waited too long. Perhaps
if I had started earlier there would have been other options. Other

people to reach out to. I read once in my file that I had
a “very good memory,” that I memorized the names
of all the neighborhood dogs. I would like to know them now.

I saw him before he saw me. He was looking around and pacing
not panicked yet but on the verge. I stopped and watched him for as long
as I thought he could bear. He turned when I emerged at last

and ran up and showed me the flag he had won
for making it through first. You were so slow, he told me. It was so
easy. Next time, don’t take so long.


Mary-Kim Arnold





quarta-feira, 17 de maio de 2023

ÉDIPO

 


François Xavier Fabre



 O que o homem procura não se encontra
nas linhas em que a eternidade se cruza com o
instante. Ele pensa que o acaso desenhou esse
limite; e engana-se quando desvia a linha para
junto do seu desejo, desafiando os deuses. Mas
o que o futuro lhe propõe não é o que
ele vê: só as sibilas o adivinharam, e a chave
da sua linguagem perdeu-se num fundo
de nuvem, por entre aves enlouquecidas e
ventos contrários. O homem insiste, porém;
e as suas mãos cavam a terra, abrindo caminho
até às raízes secas de um século antigo, onde
ele procura a solução do enigma que,
se lhe perguntarem, não sabe enunciar: «Quem
sou? Ou antes, quem imagino que sou, agora
que nenhuma resposta me é dada?» E volta
a tapar o buraco que abriu, escondendo as
pedras onde teria lido o seu destino, se
ainda tivesse a luz do dia para reconhecer
os sinais. No entanto, à noite, os passos
conduzem-no para o lugar de onde partiu,
como se fosse o único caminho que
lhe resta. E ao chegar a esse princípio,
descobre que é o seu fim, para não ter de
voltar a partir, nem de fazer a pergunta
para que não encontrará, nunca, a resposta.



Nuno Júdice
in, Fórmulas de uma Luz Inexplicável 



segunda-feira, 1 de maio de 2023

Um dia, o outro vai embora..

 






Assim sem nem avisar...
Um dia, o outro vai embora
Cansado surrado maltratado
Por um amor jogado fora

Assim sem nem avisar...
Vamos deixando de ser importante
Sorriso parado calado gelado
Olhar pensante distante itinerante

Assim sem nem avisar...
Vamos deixando pra outra hora
Se chamar, perdão minha flor
Um dia, o outro vai embora

Assim sem nem avisar...
Perdendo toda a vontade
Flertar elogiar paquerar
Tudo se torna vaidade

Assim sem nem avisar...
Depois da luta e do consolo
Sabemos que nunca houve esperança
Só a teimosia de um tolo

Assim sem nem avisar...
Quando já passar da hora
Se chamar, perdão inocente flor
Um dia, o outro vai embora.


Gilson BIttencourt




quarta-feira, 26 de abril de 2023

Given To

  






I never feel more given to
than when you take from me –
when you understand the joy I feel
giving to you.

And you know my giving isn’t done
to put you in my debt,
but because I want to live the love
I feel for you.

To receive with grace
may be the greatest giving.
There’s no way I can separate
the two.

When you give to me,
I give you my receiving.
When you take from me, I feel so
given to.


Ruth Bebermeyer




Nunca me sinto mais presenteada 
Do que quando você recebe algo de mim 
Quando você compreende a alegria que sinto 
ao lhe dar algo.

E você sabe que estou dando aquilo não 
para fazer você ficar me devendo,
Mas porque quero viver o amor 
que sinto por você.

Receber algo com graciosidade 
pode ser a maior entrega.
Eu nunca conseguiria separar 
as duas. 

Quando você me dá algo, 
Eu lhe dou meu receber.
Quando você recebe algo de mim, eu me sinto tão 
presenteada.





terça-feira, 25 de abril de 2023

Own the fact that you are different








Own it, Own the fact that you are different. 
Own that you are a deep feeler and thinker. 
Own that you’re tuned into a different frequency. 
Own the fact that you sense things others don’t. 

Own the fact that you want to talk about energy, miracles and spirituality. 
Own that you’re done having meaningless conversations. 
Own that you’re done holding yourself back.
Own that you crave freedom to feel the now. 

It’s ok that your family don’t get you.  
It’s ok that you’re friends don’t join you. 
It’s ok that the world judges you.  
It’s ok that you want to dance barefoot upon the earth and endlessly gaze at the stars. 
It’s ok that you cry over sunsets and chase moonbeams.

It’s wonderful in fact.
It’s beautiful. 

You have come a long way to be who you are. 
So own it. Own all of it. 
Love all of you. 
The world needs you to be exactly as you are. 

You hold the balance in this crazy world.



Eryka Stanton




terça-feira, 18 de abril de 2023

PALAVRAS SÃO JANELAS (OU SÃO PAREDES)

 







 Sinto-me tão condenada por suas palavras,
Tão julgada e dispensada.
Antes de ir, preciso saber: Foi isso que você quis dizer?
Antes que eu me levante em minha defesa,
Antes que eu fale com mágoa ou medo,
Antes que eu erga aquela muralha de palavras,
Responda: eu realmente ouvi isso?
Palavras são janelas ou são paredes.
Elas nos condenam ou nos libertam.
Quando eu falar e quando eu ouvir,
Que a luz do amor brilhe através de mim.
Há coisas que preciso dizer,
Coisas que significam muito para mim.
Se minhas palavras não forem claras,
Você me ajudará a me libertar?
Se pareci menosprezar você,
Se você sentiu que não me importei,
Tente escutar por entre as minhas palavras
Os sentimentos que compartilhamos.


RUTH BEBERMEYER



sábado, 8 de abril de 2023

Não é inútil beijar as pedras

 








Todas as manhãs saía da solidão do bolor 
e vinha para a rua 
pintado de carne de fantasma.

E o espanto era que eu não ficasse esfarrapado nas árvores 
- nevoeiro com cabelos.

O espanto era que eu não atravessasse as paredes 
mesmo ao lado das portas.

O espanto era que eu continuasse fugidiamente real 
nos olhos dos outros.

Eu que muitas vezes chorava, muitas vezes ria, muitas vezes cantava 
- mas só para dar a ilusão de boca ao silêncio.

Eu, reflexo nas montras 
onde as mulheres de chuva me acariciavam com mãos de vidro.

Eu, corpo de fumo de um incêndio que não ardia.

Eu, a solidão das palavras.

Depois vieste tu.
Bateste à porta. Abriste a todos os alçapões.
Apagaste todos os frios. Varreste as raivas dos recantos.
E num despir de lágrimas disseste-me:
"Toma os meus olhos, são de carne mágica.
Vê-te nos meus olhos para seres real,
Abre-te nos meus olhos tão de espelho doido.
Veste-te dos meus olhos para além dos poços."

E eu pus-me a cantar a alegria do Segredo Novo.

(Não, não é inútil beijar as pedras.)


José Gomes Ferreira




sexta-feira, 7 de abril de 2023

TE DEUM

 




 A ti, ó deus, pousado como a coruja
de olhos cegos no tronco ressequido da eternidade;
a ti, que o vento de uma imprecação de profetas
loucos expulsa para a terra poeirenta
do fim, como se ainda pudesses anunciar
um recomeço de jardins e oceanos varridos
pela primeira luz; a ti, de asas envelhecidas
pelo curso das idades, e incapaz de sobrevoar
um campo de galáxias para descobrir o átomo
de um verbo inicial:

vem para dentro do tempo, e faz dele
o templo das tuas indecisões. Sobe ao velho
altar e fala aos crentes que te adoram, repetindo
devagar cada palavra que ouviste das suas
orações. Pedir-te-ão que não os imites, e quando te
aproximares deles voltar-te-ão as costas, a ti,
ó deus alquebrado. Então, dirás para
contigo, então sou um homem! E entrarás
no meio deles, para que te insultem,

a ti, ó deus, que finalmente
encontrarás o teu lugar nas tabernas do mundo,
bebendo o vinho barato dos marinheiros
e comendo o pão esfarelado da ressaca,
enquanto rezas a ti próprio – como
se ainda acreditasses em ti.


Nuno Júdice
in, Fórmulas de Uma Luz Inexplicável





terça-feira, 21 de março de 2023

Age Of Aquarius

 






 “The Age of Aquarius is here,
A time of change, a time to cheer,
The water-bearer brings a new dawn,
A world where love and peace are born.

 The old ways crumble, the new arise,
The veil is lifted, truth is realized,
With open hearts and minds we'll see,
The unity of all humanity.

 As we embrace this cosmic shift,
We're guided by the stars and their gifts,
We'll dance and sing in harmony,
With nature, love, and divinity.

 So let us welcome this new age,
Where love and light will pave the way,
With hope and joy in our hearts ablaze,
Let's create a better world today.”


 AI/Chat GPT




domingo, 19 de março de 2023

O Tempo Nos Teus Olhos

 







A história dos teus Olhos começou no Dia da Primeira Árvore 
quando as estrelas saíram dos poços para apodrecerem no céu.

Então as aves existiam apenas dentro da imaginação da luz 
e as flores ainda voavam no cio dos perfumes enlaçados.
O canto não tinha limites. Prolongava o silêncio 
até ao murmúrio das últimas constelações.

Foi então que os teus Olhos criaram o mundo.
Ordenaram as pedras com cuidado para não as acordar.
Pentearam os lagos com lírios.
Adormeceram os voos nas açucenas.
Separaram o mar das lágrimas dos homens
e deram às fogueiras este jeito de vento e de cabelos.

E pouco a pouco os teus Olhos desfizeram-se no mundo.
Diluíram-se nos vales dos regatos de choro oculto,
na fixidez de remorso dos pirilampos,
nas pálpebras verdes do crepúsculo,
nos astros ainda trémulos de lágrimas no teu rosto.

E nesta Penumbra de coração em cinzas 
que me enreda e beija e quer e dói e ama,
e és tu, és tu, és tu a olhar para mim
- num envolver de braços no pescoço.


José Gomes Ferreira



quinta-feira, 9 de março de 2023

PROJECTO

 



 



Procuro a terra branca de um outro 
continente, os montes áridos de um litoral
tempestuoso, o fundo secreto de uns olhos
abertos para o coral da eternidade. Perdi-me
nessa procura; destruí os cadernos onde 
apontara o caminho. Como um cego,
estendi os braços para o ocaso de um infinito 
que os loucos desenharam. Bati contra 
os seus limites, e andei às voltas sem encontrar
uma fuga.

Mas vi saírem todos os barcos do porto
que imaginei. Tinha-o pensado com longos
cais vazios, e percorrera-o devagar, tropeçando
nas madeiras podres e nas cordas inúteis
de um velame corrupto. Por vezes, sentei-me 
nos caixotes desfeitos pelos vagabundos 
em busca de um resto de comida. Os cães 
vinham ter comigo e lambiam-me as mãos
como se eu fosse o seu dono.

Não sei o que levaram esses barcos; nem 
que sonho de felicidade se desfez nos olhos
vazios dos afogados.


Nuno Júdice
in, Fórmulas de uma luz inexplicável



quinta-feira, 2 de março de 2023

Tão pouco que somos

  




Manhãs há que se despedaçam nas pálpebras,
revolvem a íris,
arrancam-nos do sono, dos seus bancos da névoa,
de qualquer torpor

Estranhas núpcias celebra o homem com a mais 
recôndita vida.
Enlaçados percorremos a noite, derrubamos as suas pontes,
queremos do amor os perfumes,
a trágica magia -

isto é:
lançamos as redes aos mares, somos um peixe de ouro 
que abandona as escamas,
o covil de todos os tráficos, a mutação das cores.

É um estar subterrâneo, liquidamente.
Podíamos adorar as florestas interiores, os labirintos 
da água,
estremecer com os golpes do remador, com as 
rapidíssimas visões no intervalo das luas.

Seguimos a corrente, a flutuação dos líquenes,
olhamos devagar -
serão aqueles sobre a falésia os pescadores de 
estrelas?
Eles, impassíveis,
veneradores do oceano e do Cruzeiro do Sul, eles 
que amaram a cintilação das Pléiades?

Despertamos de repente, ao descerrar das persianas.
Viajámos muito:
uma anémona, corais, um vestígio de náufragos, o nome 
eis quanto trazemos à luz.

Em pleno dia, já não recordamos - esfinges de 
sal e sol envelhecendo - 
tão pouco que somos.


José Agostinho Baptista





quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

O Espaço Livre


 



Desocupado, livre, 
sem vestígios, ao sol, 
tronco devorado pela luz, 
ondulada frescura no dorso, 
sem laços, sem raízes, desabitado. 

Conheço o tempo 
e a demora 
lenta, 
o vazio da casa na manhã, 
a manhã deserta ao sol, 
a cegueira da luz tão leve, 
o deserto simples, 
o nome prolongado e nulo. 

Estou 
no silêncio, 
na habitação do silêncio, 
no mar imaginado, 
na planura verde sussurrante, 
na seara das brisas, 
nos adeuses prolongados em ondas desfeitas, 
no vazio da terra fresca, 
no silêncio sempre novo, 
nas vozes sobre o mar, 
no sono sobre o mar. 

Estou deitado 
e alto. 
Sou a tranquilidade dos montes, 
a lenta curva das baías, 
os olhos subterrâneos da água, 
a liberdade dispersa do vento, 
a claridade de tudo. 

Escrevo sobre dunas 
silenciosamente. 
Oiço o tempo que não passa. 
Um século de frescura 
inunda-me. 
Não esperava habitar esta vasta clareira 
límpida. 
Não esperava respirar esta brisa de paz, 
de liberdade isenta, 
de morte desvelada, 
de vida renovada. 

Abraço todo o espaço na liberdade viva.


António Ramos Rosa 
in, Estou Vivo E Escrevo Sol