quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Já Não Estar





Se às vezes numa rua, num lugar
Eu penso que um dia hei-de morrer
Sei que tudo o que tenho vou deixar
Aqui onde hoje estou, deixo de estar
E tudo quanto sou, deixo de ser

Medo da morte não consigo ter
Mas outros mais humanos e banais
Medos que a gente tem, mesmo sem querer
Como o medo que eu tenho de morrer
Só por querer viver um pouco mais

Se consigo a meu modo estar no céu
Mesmo vivendo neste céu de Inverno
Se apenas sou árvore que cresceu
Num espaço e num tempo que é o meu
Para que havia eu de ser eterno

Mas como as minhas cinzas vão ficar
Debaixo de uma pedra de jardim
Meu amor, tu sabes onde me encontrar
E uma flor sobre a pedra vais deixar
De cada vez que te lembrares de mim
De cada vez que te lembrares de mim...



Manuela de Freitas 





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