sábado, 29 de dezembro de 2012

Degraus


Junichi Hakoyama




Assim como as flores murcham e a juventude 
Cede à velhice, também os degraus da vida, 
A sabedoria e a virtude, a seu tempo, 
Florescem e não duram eternamente. 
A cada apelo da vida deve o coração estar pronto 
A despedir-se e a começar de novo 
Para, com coragem e sem lágrimas, se dar 
A outras novas ligações. 
Em todo o começo reside um encanto 
Que nos protege e ajuda a viver.
Serenos transportamos espaço após espaço,
Não nos prendendo a nenhum como a um lar;
Ser-nos corrente ou parada não quer o espírito do mundo
Mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Mal nos habituamos a um círculo de vida,
íntimos, ameaça-nos o torpor;
Só aquele que está pronto a partir e parte
Se furtará à paralisia dos hábitos.

Talvez também a hora da morte
Nos lance, jovens, para novos espaços,
O apelo da vida nunca tem fim...
Vamos coração, despede-te e cura-te.



Hermann Hesse
in, "Elogio da velhice"






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